sábado, 11 de julho de 2009

Pedaços de Mim

De outro lado penso que o melhor é ficar sozinha. Sozinha.
Na verdade sempre estive só. Solidão é tipo de palavra que parece que foi criada para definir minha vida. Só a minha?
Todas ás vezes que ando na rua eu vejo as pessoas lá, alegres, tristes ou indiferentes. Todas as pessoas estão lá. Mas elas nunca estão aqui, comigo, não de verdade entende? Às vezes ficava no quarto falando contigo e você jogado, nu, mas quase sempre parecia que você tava dormindo, na verdade realmente você dormia. Pensando melhor, eu também dormia, hibernava em devaneios fatais de fim, eu estava feliz, mas me falavam tanto que podia haver algo melhor...

Não quero que pense que estou aqui escrevendo pra te convencer a ter dó de mim. Nem eu mesmo tenho pena de mim. Eu que tenho pena de ti, pois sei que ao me deixar você acreditou que sua vida iria melhorar, mas definitivamente não vai. Nada vai melhorar e assim como eu, estarás condenado pelo resto da vida a procurar procurar procurar procurar...

Mas a verdade é que sei que você tomou a decisão correta, ao menos, naquele momento, a coisa certa. E nesse instante sinto mais pena de mim, não por quem sou agora, mas pela louca que fui, dia a dia lutando para te magoar e mostrar pra ti que não eras assim tão importante e que eu não era a mulher que você desejava para toda vida. Então posso te dizer com toda humildade dos que choram, com toda honestidade dos derrotados, que sim, eu não era a melhor opção quando você me deixou, merecias alguém melhor. E agora, só, tenho a consciência plena que não há mais ninguém para responsabilizar pelos meus atos, ou a ausência deles, minhas falhas, minha covardia.
O problema é que sinto tua falta, sinto tanta, tanta, tanta, tanta... a tua falta que chego a não ter certeza se a saudade é realmente de ti ou de mim, explico, de quem eu era quando estava nos teus braços. Eras! Eu não sei nem ao menos se nós realmente existimos ou fomos mais uma ilusão, mais um delírio, um artifício da minha mente para tornar essa maldita contagem regressiva ao caminho do nada palatável, com algum sentido.

Só sei que á noite que fica mais difícil evitar tua presença, é mais fácil ouvir sua voz. Não aquela ao telefone conclamando-me a ter "amor-próprio", droga de amor próprio, quem na vida teve o que se chama felicidade contando apenas com esta merda de amor-próprio? Todos me diziam para ter amor próprio, para pensar em mim, em mim, e como uma tola não notei que atabalhoadamente eu tentava a todo custo ser “mais eu” e no processo me tornava quase nada por me afastar de ti. E agora todos que se esforçavam tanto para me ensinar a viver vivem suas vidas, e quando os olhos súplices, pedindo ajuda, respondem com o olhar que diz: Você que fez e viveu sua vida, viva.
Mas eu dizia que é a noite que eu ouço a sua voz, não, não, eu escuto a minha voz e ela sai dos seus lábios doces, quentes e exalando desejo, gozo e a loucura de sensações, o império dos sentidos, o suar, gemer e gritar indefinidamente no teu corpo úmido do meu. Lembro do teu sabor, do teu cheiro, Teu cheiro, tua boca mergulhando inteira em mim, lembro da minha... Do meu gosto... Já não sei de quem eu sinto saudade. Olho-me no espelho e vejo uma pessoa estranha.
Saudade? Há se fosse só isso. É desespero que toma conta do corpo, a cabeça, queima ou é algo atrás da nuca... Um frio insensato causado por alguma insensatez em acreditar que há algo maior que isso que vejo...
E o que apenas vejo é você dizendo que estaria comigo pra sempre, que irias pegar a minha mão e não soltarias mais, que daquele momento em diante nada poderia ser pior, porque afinal eu estava contigo...
Angústia, dor física, dor moral, dor da perda, tudo isso é pouco. Busco pensar em outras dores, tento lembrar até da minha mãe morta, sim minha mãe morta, tento lembrar da dor, e até choro com saudades dela, daquela que me foi arrancada sem direito a recurso. Mas é pouco, você não foi arrancado, você não está morto para todos, você morreu apenas pra mim. E maldito seja os dias em que te vejo na minha frente e você não me vê, mesmo quando me olha profundamente nos olhos. Mesmo quando sorri. Talvez eu também não te veja mais, apenas um retrato e algo que já se foi... Nessas horas minha mãe parece mais viva que você.

Por outro lado acho que seria possível viver só, mas o grande problema, é que depois de tudo estou mais do que só. Quando te deixei, quando você foi embora, simplesmente levas-te-me contigo e agora sinto saudades de mim.

                                   Essa letra combina com o texto.

by Adriano Cabral

terça-feira, 7 de julho de 2009

EPITÁFIO


O CAMPEÃO

Parecia ser uma dia de festa em Juçaral. Todos estavam ansiosos para inaugurar os novos trajes domingueiros. Aspázia passara a manhã toda se emperiquitando em frente ao espelho. Dona Nena usaria o mesmo vestido da formatura de sua filha na faculdade de Vitória enquanto os homens saíam com mangas de camisa e, uns poucos, com ternos surrados. O prefeito declarara feriado municipal, trouxe até a banda de música da cidade de Pombos. Queria a cerimônia com todos os requintes. Só foi difícil dissuadi-lo de montar um palanque para os discursos, quase o fez, mas o padre Roger tirou tal idéia da cabeça do engenhoso prefeito Joel. Todos os candidatos a candidatos se preparavam para o evento.
Neco acordara cedo a contra gosto. Não conseguia entender porque de tanta euforia. Estava realmente com vontade de prolongar o precioso sono.
Ao ver o filho sem a mínima vontade de levantar da cama, sua mãe gritou, eita menino sem coração, o professor se vai e ele nem tá aí. Oras, exclamava Neco interiormente, pois temia a fúria materna, que grandissíma porcaria foi a partida do professor... O que renderia para ele seus ensinamentos? Aonde pararia? Se ao menos ele fosse professor de verdade, de leitura, talvez valesse um pouquinho daquele alvoroço todo... mas não... um professor de volei naquele oco de mundo? Só ía para os treinos porque mainha ameaçava com uma surra. Nestes pensamentos levantou-se desolado, vestiu sua melhor roupa domingueira sem nenhum entusiasmo e seguiu com toda família para cerimônia. No caminho topou com o odioso e asqueroso mendigo Gambá.

Dir-se-ia que toda Juçaral resolvera se ajuntar no mesmo lugar. Até gente ilustre de Recife como dona Suzana Rêgo Brito e seu filho estavam lá marcando presença. O padre alheio a tudo isso falava com voz monótona os textos bíblicos. Depois dele, o prefeito fez seu discurso, pomposo e longo que quase adormeceu com a mesma veemência fatal os vivos presentes. Depois do prefeito se sucederam muitos oradores, cada qual preocupado em mostrar seus dons de oratória ou talentos "artísticos" tudo isso para enaltecer o morto e porque não, fazer uma breve auto propaganda. Lá se ía quase duas horas de epitáfios "emocionados". E haja poesia ruim para tornar mais ainda lúgubre aquele evento. Choro mesmo vinha da pobre viúva e de suas duas filhas. Aílton, o professor, tinha sérias dúvidas se o pesar da viúva era por causa da morte do marido ou pelo suplício dos intermináveis discursos.
Se a morte não comovia a turba de oradores outra razão lhes traziam grande desgosto naquele momento, a razão era que mesmo com a imensa quantidade de "ouvintes" não havia palmas, fosse boa ou má a oração. No final das contas se tratava de um funeral, e pedir aplausos já parecia além da conta, não obstante o poeta Agenor achar tal fato lamentável. Mas há sempre os recalcitrantes, Tony, cabo eleitoral do eterno prefeito Joel, aplaudiu sozinho durante trinta espetaculares segundos o patrão.
Finda, para alívio geral, a última palavra do último orador, o coveiro começou a jogar areia no ataúde. Agora era o poderoso som da areia a bater no caixão que dominava aquele recinto, foi aí que até o prefeito se recordou que se tratava de um funeral. Aquele som aterrorizante cessou ao surgir um forte alarido. Era o Gambá, que ébrio como sempre, teimava em se aproximar da viúva. Dizia que também queria falar. Obviamente, ninguém iria permitir que um alcoólatra famoso pelas suas estultices falasse num funeral de pessoa tão ilustre e bem quista como a do Professor Manoel da Silva. O tumulto ía crescendo pois o biltre do bebum não desistia de seu intento. Esperneava, empurrava, mas tinha que falar, tinha que mostrar para povo. A família do morto vendo o pobre mendigo a chorar implorando pelo direito a palavra, acabou se compadecendo, para indignação geral dos principais da cidade. Ninguém sabe se foi o impacto da morte sobre a viúva, ou a vingança que a mesma imaginaria ter contra os miseráveis principais da cidade, que impiedosamente castigaram ouvidos dela e de todos os presentes com toda aquela hipocrisia oratória, o fato é que dona Maria ordenou para que soltassem o Gambá, e que o deixassem falar. Para espanto geral da cidade.
O Gambá já livre, com todo o fedor que Deus lhe deu, se aproximou a beira da campa e com a voz embargada pela emoção falou:

— Hoje Juçaral dever chorar, hoje todos nós devemos chorar, cada pé de banana, cada gomo de cana, cada capim desta terra, cada sabiá deve estar lamentando a morte do nosso amado Manoel Da Silva. Quem ele foi? Tudo. Quem eu sou? Nada. Eu sou um bêbado inútil, um desgraçado sem ninguém, que vive pedindo um centavo pelo amor de deus para encher meu rabo de cana e depois arranjar brigas por qualquer coisa. Eu sou um estorvo para o mundo; Uma coisa qualquer que no dia que desaparecer da terra será esquecido na mesma hora em que se fechar sobre mim a campa. Mas eu digo a vocês... houve um dia. Houve um, ao menos um, que eu fui alguém, que eu fui amado que fui admirado por todos desta cidade... houve um dia em que fui carregado nos braços do povo, que fizeram festas e dança em meu nome; um dia em que todas as principais raparigas da sociedade desejaram me ter como par no baile do Sábado. E este único momento glorioso que tive em minha vida devo ao meu amado Professor Manoel Da Silva. Ele sim, que trinta anos atrás foi meu técnico e conquistou campeonato pernambucano de vôlei pela seleção de Juçaral. Título que levou o nome desta terra a ser respeitada por um momento em todo Pernambuco, por um momento... E fui eu quem ganhou naquele mesmo campeonato a medalha de melhor jogador. Por isso fui tão festejado nesta cidade... e todo aquele curto mas belíssimo momento da minha vida devo ao Professor Manoel Da Silva. Que chegou aqui neste fim do mundo. E tentou através do esporte, dá uma opção de vida a esta criançada, a educar esse povo sem vez, a dar uma luz a quem só pode ser cortador de cana ou marginal. Agora vocês devem perguntar, porque falo tudo isso, será que quero com isso retomar meu esquecido dia de glória? Não, só queria que estes jovens que aqui estão, que esta criançada olhem para mim, olhem bem mesmo e vejam como se pode desperdiçar uma vida por causa da burrice de se entregar ao álcool e a vadiagem, a fraqueza. E vejam que merda é desperdiçar as oportunidades tão raras que a vida dá para gente. Vejam como é triste conviver com um homem tão bom como este que aqui está morto e não aproveitar esta dádiva o máximo possível. Pois assim como só temos uma vida, muitas vezes só temos uma chance.
Antes mesmo de terminar, toda terra em volta ao cemitério de juçaral ficou úmida, mas não choveu.... todos ficaram em silêncio. Todos na cidade se sentiam agora tão órfãos de tudo como Gambá, aquele que só teve um único momento, um. Neco também chorava, e pela primeira vez sentiu a falta que faria o professor.
Depois desse dia Gambá desapareceu de Juçaral, uns dizem que se suicidou, outros que voltou a tomar suas canas pro lado de Amarají. Neco a partir deste dia prometeu a si mesmo que não seria um cortador de cana, seria como seu Manoel Da Silva, um Campeão.
by Adriano Cabral

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DESABAFO



DESABAFO

Não sei mesmo o que eu faço aqui
Só sonhos e nada mais
Ás vezes quero sumir, morrer dormir,
Mas tenho medo do nada

Tudo que me resta é uma tristeza constante.
Que corrói à alma e o coração.
Toda às vezes que sorrio
O riso vem com o aviso da minha desgraça
[ constante e sem e graça]

Mas e daí, se me acham maluco,
Porque não, não aceito,
Até os beijos que me dão,
Não que eles sejam a véspera do escarro
Mas sei que no fim, é só solidão.

Sou apenas um escravo:
Dos meus professores que me dizem o que pensar,
Dos meus patrões que me dizem o que fazer,
Dos meus pais que me dizem com que sonhar,
Da igreja que falam até como devo foder.

Aí eu vou com os amigos para festa,
compro livro de auto-ajuda,
[alimento-me da ilusão]
Falo das minhas convicções que são dúvidas em movimento,
[tento escapar da solidão]

Você que não sente o que eu sinto (isso é pleonasmo)
Compreenda-me ao menos. É uma dor que vai se instalando, dissecando, enlouquecendo.
Não deveria ter sido concebido, tenho medo do desconhecido, pra onde vamos?
[Pra lugar nenhum]


Texto escrito pelo autor aos 17 anos.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ondas (segunda parte)




















RECIFES...

Amiga, acho que fiz uma grande besteira!! Andei pensando em tudo aquilo que vc falou no último e-mail, aquele papo de Alexandre ser um cara legal e todo aquele lance de ser o homem da minha vida... e Dionísio só uma paixonite virtual... Acabei pondo um ponto final nas conversas da gente. Hoje faz 3 semanas que não nos falamos mais... no começo eu até andei evitando a net, isso durou uns 3 dias... depois dei de ficar de plantão esperando o belo momento de ver o nick dele surgir, mas não apareceu... esperei algum telefonema, mensagem, e-mail... mas nada!!! E eu fui tão grosseira com ele, tentei ser fria e dura, desliguei o Chat sem nem mesmo dizer um tchau... a última coisa que li foi um “não seja infantil”

Aii to mal... até chorar eu já chorei!! Parece que arrancaram um pedaço de mim... não sei se ligo, tenho medo dele estar me odiando. Não consigo mais me concentrar em nada... sei lá, isso tudo é tão estranho! Me ajuda... eu ligo?!
Droga de vida!!

Laiana.


Dionísio: - Alô!
Laiana: - Di... sinto saudades (som entre lágrimas)

[FIM DA LIGAÇÃO]

TERRA A VISTA...

Di, hoje faz 40 dias que não falo com você... como eu acabei de dizer no telefonema, que não consegui terminar, eu sinto saudades.
É difícil pra eu confessar, mas são 40 dias que eu choro quase toda hora sentindo falta de suas palavras, de nossas conversas... dos nossos risinhos!! Sinto falta de você dentro de mim, e só agora entendo exatamente quando vc vivia dizendo que estávamos mais conectados do que grande parte das pessoas que estavam juntas em carne e osso. Nada parece ter grande importância agora...essa distância parece que matou a parte mais viva que existia dentro de mim!
É... eu acho que descobri uma coisa!! Eu não sei como isso foi acontecer mas... eu amo você!

Beijo, profundo... beijo...bem fundo...

Sua e só sua, desgraçadamente sua porque sofro, tristemente sua, loucamente sua, totalmente sua...
Laiana.

ONDAS...

Oi miga, valeu a força visse?! Pensei bastante em tudo que você falou. Mas não vou procurar psicólogo não, eu já sei exatamente o que devo fazer. Tomei algumas decisões p/ minha vida... to escrevendo logo pra que vc não pense que eu não segui seus conselhos e fiz besteira... na verdade eu pensei bastante em tudo, mas acho que agora é a hora de arcar com as conseqüências sozinha.
Acabei de enviar um e-mail pra Dionísio... falei que o amava! Sim, eu o amo... e quem disse que não existe amor antes da primeira vista né?! A única coisa que lamentei foi essa necessidade de mais de um mês de sofrimento para entender algo tão obvio!!
Marquei pra encontrar Alexandre hoje no finzinho da tarde... em boa viagem mesmo, não tenho tanta coisa pra falar... vou mesmo só terminar o noivado e nossa relação. Chega de conveniências... ele é ótimo, mas eu só ainda estou com ele porque é cômodo!!
Eu sei que você está me achando louca... e vai me escrever um monte de desaforo (risos) mas já decidi!! Independente de qualquer coisa, acho que ainda tenho muito tempo pra fazer escolhas e viver grandes aventuras.
Bem é isso...

Laiana.

E MAIS ONDAS...

Lalá, você desligou o telefone sem nem ao menos esperar que eu dissesse qualquer palavra. Acabei de ler seu e-mail, estava esperando por ele hoje faz 40 dias, estou feliz que você tenha chegado a essa conclusão sozinha... você é e sempre foi uma mulher inteligente e sensível, mesmo que vc mesma não acreditasse tanto nisso.
Pensei em você todos os meus segundos, durante esse mês. Entrei na internet quase todos os dias... muitas vezes ficava só a espiá-la online, louco de saudades. Não deixei nenhum só dia meu celular sem bateria, e em todos os 40 dias, eu dormi com ele ao meu lado.
Por que não a procurei?! Resposta simples, você precisava chegar a certas conclusões sozinha, e só assim vc teria coragem de mergulhar em nossa doce loucura sabendo que isso foi uma escolha e decisão sua.
Vou esperá-la esta noite meu amor.

Um beijo carinhoso.
Dionísio.

TERRA FIRME

Quanto tempo...
Cara, meu namoro?! Depois de tantas turbulências eu acho que enfim estou tranqüila novamente... está tudo ótimo. Lembrei de vc um dia desses, daquele e-mail que vc me falou que o tempo era o único capaz de resolver minhas angústias, bla bla bla... E sabe de uma coisa, vc estava certa, ao menos nisso né?! hehehe
Eu acho que tive muita sorte... tive a oportunidade de voltar atrás ainda em tempo, e decidir as coisas sensatamente!! E agora tô eu aqui em boa viagem, pode isso?! O sol está lindo, as ondas vão e voltam... e eu estou aqui com os pés na areia morninha!! Ê vida boa... pena que ele não esteja aqui agora, senão seria um romantismo só...
Meu baiano é uma maravilha que só vendo... Que ele não leia esse e-mail, mas entre Bahia e Pernambuco eu prefiro minha terrinha!! Ele que me aguarde... mais uns dias e eu o convenço a morar aqui comigo.
Sabe amiga, durante muito tempo eu achava que a vida era assim ou assado, que só tinha o caminho certo e o errado. Descobri que há vários caminhos, e não importa muito se o começo é “certo” para o mundo ou “errado’. O fato é que nós fazemos nossa história e só, tão somente nós mesmos podemos viver nossas vidas. E eu te digo agora, estou feliz e vou lutar com unhas e dentes para me manter assim, só quero saber o que realmente sinto. Só quero me preocupar com o essencial...enquanto isso vou ficar aqui curtindo as ondas...

Beijinhos.
Lá.



by: Anne & Adriano

domingo, 21 de junho de 2009

ONDAS (PARTE UM)

ONDAS


Dionísio: Será que existe vida inteligente nesta sala?
[silêncio]
Dionísio: Será que existe vida inteligente nesta sala?
[silêncio]
Dionísio: Eu já sabia a resposta, o silêncio a confirmou...
Laiana: Ô cara, você não tem nada para fazer não é?
Dionísio: Minha cara o simples fato de estar aqui já demonstra um estado avançadíssimo de ócio, não percebes?
Laiana: Que isso cara? Deixa de ser arrogante! vens aqui logo zoando com a cara de todo mundo...
Dionísio: De forma alguma, eu só perguntei, o silêncio me respondeu, mas já que você emergiu da massa amorfa, quem sabe você é a exceção neste mar de ignorância e solidão...? De onde você é?
Laiana: Ai que saco!...
Dionísio: .... não vai responder? Cuidado...
Laiana: Cuidado? tu és doido mesmo né cara? Cuidado com que?
Dionísio: Cuidado com as repostas que você der... não é bom falar muito comigo....
Laiana: Ah é? E porque seu maluco?
Dionísio: Nada demais, é que as mulheres que falam comigo muito tempo acabam se apaixonando por mim, e aí já sabe né? :)
Laiana: Não, agora não há dúvidas você é louco mesmo...(risos)
Dionísio: E aí? Ainda tem coragem de continuar a conversar comigo? De onde você é?
Laiana: Tá seu bobo.... sou recifense...e é muito mais fácil VOCÊ se apaixonar por mim...De onde você é?
Dionísio: Sou de Salvador...

Ai foi uma coisa menina! tá vendo mais ou menos a guerra que foi a nossa primeira conversa. Num colei a conversa inteira porque era muito grande. Né um bobo esse menino o tal Dionísio? Olha num primeiro momento eu achei, e quem não acharia? o cara super arrogante, fui falar com ele mais para pirraçar mesmo. Nós trocamos e-mails e desde então era troca de farpas uma daqui outra aculá... é né? Você já viu este filme. Mas o pior de tudo cara... era que ele era uma pessoa super inteligente... Pô e você sabe né? Na minha rede só pode cair este tipo de peixe. A gente brincava muito, tudo muito divertido, ele ficava dizendo que todo mundo na internet era lindo e maravilhoso, mas no fundo só ele era assim. Ai! É para rolar de rir né? Eu fui logo dizendo que eu era uma mocréia de primeira, ele disse que já desconfiava... né um safado o cara? Ele fica o tempo todo dizendo que estou apaixonada por ele... Tadinho...! não sabe ele ainda, que estou muito bem servida aqui.... Vou parar por aqui depois escrevo mais.

Laiana.
Beijossss

ONDAS VINDO...

Ai que horror, foi terrível... não ando dormindo direito... é o vício... e que vício... Lembra daquele rapaz de quem te falei? O Dionísio? Pois bem.... não é que eu me peguei com ele numa madrugada dessas e a gente conversou a sério pra caramba até o sol raiar. Loucura né? E para minha... surpresa? nada,! eu já desconfiava.... Ele é um cara super sensível, estava numa tristeza que só.... é. Ele estava na verdade se sentindo muito sozinho. Confessou-me que era um cara muito frágil não obstante a aparência.... Pôxa eu quase cheguei a sentir na pele a solidão dele... sério... Sabe... quando eu conversei com ele me senti diferente... como se no mundo só existisse naquele momento eu e ele mais ninguém, pô queria que à noite fosse mais longa naquele dia.
Não é nada disso que sua mentizinha poluída esta pensando... mas só o puro prazer de conversar com alguém inteligente e sensível... alguém que parece que compreende a gente... Pôxa! Ele sem nunca ter me visto... Ele não é feito a multidão de babacas que andam na net... Pelo menos não parece..
Meu noivo? Claro que ele sabe que tenho amigos virtuais... também ele não precisa saber das brincadeiras, das horas que passamos conversando e às vezes no telefone... Ele tem um sotaque baiano arrastado pra caramba...
Ah nem falei dele direito né? Ele é professor de literatura na Universidade Federal da Bahia. Ele até escreve... na verdade nem eu mesma sei porque ainda não olhei direitinho os textos que ele me enviou...Depois eu te envio... Ele escreve bem... é.... tem futuro...
Senti tanta falta dele quando ele viajou... deu um sumida por umas duas semanas... Fiquei aqui só relembrando nossas conversas, nossos papos... recriando os diálogos... nós viramos confidentes um do outro... né legal?
Ôpa o dever me chama... depois eu mando notícias... sabe que tenho uma vontade danada de encontrar este cara?....

Laiana.

ONDAS ENTRANDO...

É amiga, refleti muito sobre o que você me disse naquele e-mail... realmente eu andei me apegando demais neste cara... cheguei até a ligar para ele de celular num show lá no Maluco Beleza acredita? E agora essa vontade doida de falar com ele ao vivo está até me incomodando...
Na verdade você tem razão... essa brincadeira está indo longe demais... Meu noivo se soubesse metade das coisas que a gente conversa na net... Na verdade eu vivo inventando pretexto... Para não ir para Salvador.... você sabe que até preciso ir... tem uma filial lá do hotel... mas... sei lá.?... o que pode acontecer...

Na verdade não é brincadeira... é bem sério... ás coisas se tornaram bem sérias... me sinto como a última das mulheres... Tá bom!! Chega! digo logo... estou apaixonada por ele sim... é isso que vc insinuou o tempo todo... e o pior é que sinto o mesmo nele... entende? Mas ele não tem medo não... também! Não tem nada a perder... não tem ninguém... já eu estou aqui com um noivo... com planos para casar...se eu gosto do meu noivo? Amo... é... eu acho que amo... é tudo tão confuso...
Pô cara! mas mesmo assim ainda acho isso tudo muito injusto...Esse clima que existe entre eu e este baianinho se de um lado é bom porque é gostoso e divertido... é terrível... pois na proporção que nos aproximamos... nos afastamos mais ainda... surge uma barreira invisíve que ambos sabem existir mas ao mesmo tempo fingem ignorar... essa situação é desconfortável pra caramba... pode acabar nos afastando definitivamente....L
Quem enlouquece mais nesta história toda sou eu né? Por ele nós já estávamos juntos...
Sabe de uma coisa... acho que vou colocar um basta nisso tudo...
Vou nessa..
Laiana.

ONDAS SÓ ONDAS INDO...

Bem agora esta tudo legal. Nós tivemos uma conversa adulta e chegamos a conclusão que seremos agora definitivamente tão somente amigos. Isso é bom... por sinal semana que vem vou à Bahia. Agora com as coisa no lugar não há o que temer né?

Engraçado de repente minha vida se voltou para Salvador e a Bahia.. estou lendo Mar Morto de Jorge Amado e vendo na TV Dona Flor e seus Dois Maridos...

Olha cara... estou aliviada pra caramba... na verdade tive medo que essa coisa fizesse com que a amizade que eu tinha com o Dionísio acabasse assim... entende...
Finalmente irei vê-lo na semana vem agora, pois está tudo esclarecido entre nós...

ONDAS....

Não fui a Salvador... o motivo? Não sei porque.... bateu uma coisa em mim menina.. um não sei o que... não achei legal ir para lá não sabe... deixa para outra vez.....

Ai! Tôu mal pra caramba!... depois te escrevo...

Laiana...

RECIFES...

Olha recebi seu e-mail e acho que não é por aí não... tudo bem que eu já adiei a viajem a Salvador uma 6 vezes... tudo bem que eu já fui pra Sampa no mesmo período 3 vezes e 2 para o Rio.... mas meu problema é tempo entende tempo...
Se eu ainda quero conhecer o Dionísio? Claro que quero, mas você também não ajuda né? Bem que daquela vez tu podias vir comigo viajar pra lá... mas é isso...
Voltei de viagem agora... quando ele souber que eu tirei minha folga e não fui pra BA ele vai ficar chateado... eu acho.... tô até sem jeito para telefonar...
É isso... tenho medo de perdê-lo miga... mas não posso... não devo tê-lo...
Mas eu não estou fugindo dele não viu?

Laiana

RECIFES...

Dionísio:
* Dionísio chega sorrateiramente por trás de Laiana, abraça suavemente envolvendo completamente seu corpinho, beija de leve, molhado, suave sua nuca... desce em beijos pelos ombrinhos, volta e escala corajosamente, ainda em beijos, até chegar ao ouvidinho...respira...TÃO SOMENTE para dizer baixinho: estou com saudades!
Dionísio: E pra vocês mundiça... Boa noite.
Laiana: Oi dii... boa noite. Eu tava viajando, folguinha inesperada... tive que aproveitar, sabe como é né!!

[PVT-chat privado]
Dionísio: esperei seu telefonema ou algum sinal de vida...
Laiana: como eu disse, arrumei um tempinho de ultima hora, acabei fazendo uma viagem pra um interior que tava louca pra conhecer há muito tempo.
Dionísio: ...escrevi o e-mail com tanto carinho, esperava sua resposta!!
Dionísio: Pensei que o único lugar que vc quisesse visitar de verdade, nos últimos tempos, fosse a Bahia.
* Dionísio decepcionado!
Laiana: Não tive tempo de responder o e-mail, andei muito ocupada. Ah... já conheço a Bahia, esse lugar que fui era um lugar novo... era mais negócio.
Dionísio: vc está estranha, aconteceu alguma coisa... algo lhe incomoda?!
Laiana: Nada me incomoda não Di. Mas vou aproveitar esse tempinho p/ responder logo seu e-mail... pode ser por aqui mesmo?!
Dionísio: Depois de tanto tempo... por aqui já ta valendo!!
Laiana: Di, como você sabe, eu estou noiva... Alexandre é um cara perfeito, se ele imagina que ando teclando e enviando e-mails p/ vc e que já temos toda essa intimidade, to frita!! Perco meu namorado.
Laiana: Sabe, são vários anos de namoro... já estou planejando esse casamento faz mó tempão. Eu sei que isso que to dizendo não é novidade p/ você... mas tenho que repetir p/ tentar te fazer entender como eu to me sentindo...
Dionísio: Eu sei como você se sente...
Laiana: Ótimo, não vai ser preciso escrever demais então...
Laiana: ... isso tudo entre a gente é só uma loucura!! Não nos conhecemos, eu mal sei quem é vc. Essa nossa história doida, pra acontecer no mundo real só mesmo se eu jogar tudo pro alto, meus planos e meus sonhos... e convenhamos, as escolhas que eu deveria ter feito na minha vida já foram feitas, hoje eu só espero as conseqüências delas. Já não sou nenhuma garotinha.
Laiana: Eu andei pensando bastante... e quer saber, EU AMO ALEXANDRE, ele é o homem da minha vida. Foi com ele que cresci, superei cada obstáculo da minha vida profissional, é com ele que vivo os melhores momentos da minha vida. Ele será o pai dos meus filhos... e viveremos felizes, sem que nada, nem ninguém ponham em dúvida todo o sentimento que temos um pelo outro.
[silêncio]
Dionísio: Lalá, nós já conversamos sobre isso... isso tudo aqui é real, e vc sabe e SENTE isso!!
Laiana: Lá vem vc querer confundir minha cabeça... eu não sou nenhuma garotinha iludível não!!
Dionísio: Ei... me escute!! Fique calma!
Laiana: não quero mais ler nada... fui muito clara em minhas palavras!! Acho que já tentamos ser “amigos”, mas isso não funcionou. Isso é um adeus!
Dionísio: não seja infantil...
[Fim da sessão.]


PS: Os poquíssimos leitores do blog ficaram curiosos quanto ao final da história? Será que eles ficam juntos? rs Em breve... acho..rs


Autoria: Jeisianne Soares & Adriano Cabral

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Quase... Nada.




QUASE...



Quando os meus olhos voltam-se para o presente e vejo aquele sorriso... tão puro, tão livre, tão pueril, tão gracioso, tão enleante, e diga-se...tão sedutor.
Sinto falta de sua dedicação canina!

De sua voz esganiçada melodiando no meu ouvido
Lembro daquele olhar maroto, gostoso, entregue, fogoso, voluptuoso que fazia da mirrada menina um vulcão insaciável de mulher.

Nunca mais as horas foram tão curtas
Nunca mais os dias foram tão quentes
Nunca mais sonhei e acreditei no delicioso mundo maluco...

Mundo que nos envolveu e transformou em amantes amados amorosos e amigos...
Não me lembro direito porque terminou... Juro, não lembro especificamente, mas tenho certeza que tudo se foi por...
Por quase nada...

E neste quase nada tudo foi sendo tragado...
O compromisso...
As palavras de carinhos...
A coragem indômita...
O desejo insaciável...
O sonho junto...
A sensibilidade...
O próprio amor foi mortalmente ferido...
E ela simplesmente...
Desapareceu!
Como se nunca realmente tivesse existido.


Mas não tenho certeza que terá fim... Porque algumas histórias...
Sempre existirão enquanto houver poetas, amantes malucos, totalmente insanos apaixonados e que depois de tudo isso ainda são capazes de amar.
Então toda vez que eu vir um sorrir gostoso, pueril, criança e completamente entregue de paixão, verei de novo seu saudoso semblante minha menina, minha mulher...
Por onde andas? Eu não te sinto mais!
E tudo Por quê?
Por quê?
Por quê?
Por quase...
Nada.


Adriano Cabral

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O QUE É PRECISO PARA VIVER UM GRANDE AMOR


                             (Flor encontrada pelo autor na praia em outubro de 2009...uma flor no deserto?Foi abandonada ou simplesmente quis ficar só e chorar sozinha? humm)

PARA VIVER UM GRANDE AMOR

Para viver um grande amor, antes de tudo deve-se ter coragem...
Pois muitos falam, sonham e desejam um grande amor, mas poucos têm a bravura indômita, coisa essencial para enfrentar ás legiões de covardes, frustrados e amargos que nos rodeiam, não raro, formadas por parentes e “amigos do peito” pródigos em conselhos e fórmulas de vida que curiosamente os fazem viver infelizes.
No entanto, se é preciso coragem para viver um grande amor, ela é, sobretudo necessária para enfrentar e vencer o maior inimigo de todos: você mesmo.

Para viver um grande amor é vital ser capaz de sonhar...
Pois sem os sonhos é impossível sentir o delirante, enleante e repousante do que é amar.
É preciso, como diria o poeta, ser louco capaz de falar, ouvir e entender estrelas, é preciso ter fé, pois assim como esta, o amor está fundado no invisível e em “razões” a princípio impossíveis, mas com certeza sentidos e vividos.

Para viver um grande amor é preciso queimar no insano fogo da paixão...
Pois assim como para ser adulto antes se é ser criança, não se pode amar sem antes se apaixonar. Quanto mais a paixão te tornar ridículo e desvairado diante do mundo, mais provavelmente deves te sentir abençoado, pois, quanto maior for teu delírio, há de torna-se essa paixão um grande amor maduro.

Para viver um grande amor é essencial ser absurdamente forte...
Pois o caminho que nos leva ao éden necessariamente nos levará ao inferno de dor tão ou mais lancinante que a ventura . Um grande amor é vivido entre as sombras e a luz, entre o viver como um deus e padecer como o mais vil mendigo; Ser forte para chorar dolorosamente, engolir as lágrimas e seguir em frente com a pessoa amada.
Para viver um grande amor tem que se ter força para persistir e lembrar que nada muito bom vem sem um alto preço, mas no final, ao olhar pra trás você verá que se viveu, valeu a pena. É necessário também ser forte não só para vencer, mas pra ser vencido e o mais difícil, aceitar a vitória.

Para viver um grande amor é imprescindível ter a inteligência dos pés no chão...
Sem isso jamais você entenderá que o amor vem justamente quando a paixão fenece.
Quando não há o ardor, o desespero, a ânsia e o desejo incontrolável diminuem, quando não há mais o olhar constante nas horas, aflito com o próximo encontro.
O amor chega numa sensação de calma e paz, justamente quando seu alguém está lá, com todos os defeitos e sem nenhum tipo de artifício, e ainda assim, ele é simplesmente essencial para sua vida. Sem os pés no chão é impossível permanecer nas nuvens.

Mas tudo que foi escrito aqui é inútil e não fará nenhum sentido se
Nesta curta, hostil e inglória aventura da vida, onde todos entram se debatendo em choro e se vão da mesma forma desdita, você como a maioria, jamais tiver a sorte de encontrar amor nesta vida.
Pois,
Para viver um grande amor, antes de tudo deve-se ficar muito atento, pois um grande amor é raro e poucos são felizes por encontrarem ao menos um.

Pois hoje tenho orgulho em te dizer, que vivi, vivo e quero viver por muito tempo toda força deste amor que me tomou, me destruiu e me refez completamente, totalmente livre e dependente de tua existência junto a minha. É possível ter vergonha de viver na terra e ter tocado o céu? Pois para viver um grande amor da forma devida, deve-se enfim perder todo pudor. E agora nestas linhas é impossível não dizer que te amo!
É contigo que vivi, vivo e quero viver por toda vida o meu grande amor!

Adriano Cabral.