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domingo, 6 de março de 2011
Olinda - Aventura De Carnaval
Estávamos no final dos anos setenta. Eu, Tullios era uma criança cheia de medos e terrores. Um menino sonhador que vivia em um mundo que se encontrava entre o real e o imaginário. Vivíamos em uma casa modesta no bairro de Casa Amarela na cidade do Recife. Meus pais eram mais dois retirantes dos tantos que fugiram da eterna miséria do sertão nordestino, mas precisamente da Bahia. Como não podia deixar de ser, a família era grande, ao todo eram nove filhos, eu era a oitava cria da família Menezes. Ainda não tínhamos televisão.
Não obstante o grande rebanho, não passávamos fome. Necessidades sim, mas fome nunca. Meu pai ganhava muito bem em relação à média dos trabalhadores daqueles tempos, todos sempre diziam: Se papai tivesse menos filhos seríamos ricos. E cada um imaginava a família ideal, cortando uns irmãos aqui outro acolá. Mas o fato eram nove pessoas confinadas numa casa de três cômodos que no decorrer dos anos ganhou mais três quartos com a construção do primeiro andar.
Mas ainda estamos falando da casa de três cômodos onde num dos quartos dormiam meus quatro irmãos mais velhos, no outro, um pouco mais aconchegante, ficavam minhas três irmãs e por fim, no quarto maior ficavam os donos da casa. Eu dormia sozinho numa cama de campanha, na sala mesmo, enquanto minha irmã caçula, Denise dormia no berço com meus pais.
Todos os anos a família inteira se reunia para brincar o carnaval. Geralmente freqüentavam um clube que ficava pertinho de nossa casa. Eu odiava o carnaval. Minto, morria de medo. Arranjava mil desculpas para não ir para a folia e permanecer com minha tia Maria, que era evangélica e também ficava com a pequena Denise quando minha família saía.
Eram sempre dores de cabeça, no ouvido, no pé, uma moleza no corpo e tantos outros males que se é possível inventar. Entretanto, parecia que nenhum ardil funcionaria naquele ano. Minha mãe estava decidida a me levar nem que fosse de maca e tomando soro na veia.
Eu tinha ojeriza ao carnaval. Temia aquelas criaturas medonhas e sombrias que pulavam freneticamente sob um som muito alto e terrível aos ouvidos de qualquer ser humano. Aqueles cavaleiros fantasmagóricos com lanças em riste caminhando nas ruas, ameaçando os transeuntes. Toda aquela fantasia sinistra me punha a rechaçar qualquer idéia que me impelisse aquela festa. Só mais tarde compreendi que as criaturas medonhas nada mais eram que pessoas fantasiadas que pulavam de alegria ao som do frevo e que os cavaleiros de lança eram apenas os representantes do maracatu rural. Mas isso e muitas outras coisas só vim descobrir depois.
Enquanto isso, toda aquela atmosfera momesca me causava pavor. Ainda mais com o acréscimo que sempre ouvi de minha tia a dizer que aquela festa era patrocinada pelo próprio diabo.
Não parava de chorar. Implorava para não ir. Minha mãe tinha na face a mais sublime das irritações, como podia ser aquilo? Comprou-se até fantasia de Romeu, ficarás um brinco menino! Tantas pessoas sonham em brincar o carnaval aqui em Recife e principalmente em Olinda, e tu, o que me dizes? Ficas aí a inventar doenças? Não vês televisão filho? É o maior carnaval do mundo. Vais sim. E vais ficar um pão, tão fofinho que irás arranjar lá a tua Julieta. Pois é? Não adiantaram as chagas inventadas, os gritos histéricos, as lágrimas. Em pouco tempo estava lá, com armadura brilhante de papelão, uma capa, uma bainha sem espada e um belo e ridículo chapéu com uma pena no alto. Logo estava meus pais e toda ninhada da família Menezes esmagados dentro de um coletivo.
Entre os passageiros tínhamos uma índia e um vaqueiro sentados abraçados num banco de trás em altos beijos. Batman me espremia de um lado enquanto uma bela diaba, que estava ao eventualmente atracada ao que me parecia ser Deus e em seus constantes movimentos acabavam por me jogar pra cima do homem morcego. Confetes e serpentinas voavam a toda hora. No fundo do ônibus um grupo de bailarinas de barba e bigode cantavam desafinadamente músicas carnavalescas acompanhados por um batuque desvairado. Os instrumentos de percussão eram os bancos e o teto do ônibus que certo tempo depois veio a partir-se. O calor no coletivo a cada minuto aumentava. Era mais ou menos meio-dia e todas as janelas estavam cerradas com o intuito de se evitar que os passageiros tomassem banhos indesejáveis de lama e ovo podre que eram atirados em todos os carros pela multidão de gente adepta ao mela-mela. Um Bojudo lorde inglês em farrapos atropelou metade dos passageiros no momento em que correu pelo estreito corredor do ônibus a fim de saltar em sua parada. A fervura aumentava e o coletivo cada vez mais lotava. O suor escorria testa abaixo, o cheiro azedo daquela gente toda imprensada umas nas outras entrava forte nas minhas narinas. Cercado por todos os lados e sem ter onde me segurar acabei por abraçar as ancas da bela diabinha que vestia um pequeno trapo na parte de baixo de suas vestes. O contato com aquelas generosas carnes quentes e macias fez-me concluir que a viagem não era de todo má. Já bendizia o aperto do ônibus e começava a gostar do carnaval. A diaba ria do menino atracado a ela como fosse sua última tábua de salvação. Deus, piedoso como sempre, ao lado dela, também sorria, no final das contas, ele pensava provavelmente que as crianças daquela idade não sabem o que é lubricidade. Tinha razão o nosso senhor, até hoje não sei o significado dessa palavra. Mas que foi gostoso foi. Viva ao carnaval!
Mas tudo que é bom tem que acabar. Uma caixa de sabão em pó gigante onde havia escrito Homo-Sexual gritou que havíamos chegado. O coletivo defecou quase todos seus dejetos humanos na praça perto da prefeitura. E lá estávamos nós frente a frente com a folia, com aquela imensa multidão de gente que surgia de todos os lados, subiam e desciam as ladeiras, ou ficavam apenas parados a espera das agremiações carnavalescas ou a troças. As tais troças eram animadas desde orquestras completas ou apenas outro tipo de banda, composta de jovens e velhos batendo em latas vazias. Existe uma por sinal quem não tem instrumentos, jovens caminham pelas ruas com uma grande corda, gritando às 5 horas da manhã: ACORDA ou A CORDA, e os que despertam com a barulhada se juntam a troça barulhenta para acordar os foliões fatigados de farra. Mas o carnaval de Olinda tem de tudo, ou quase tudo. Era gente fantasiada de leite em pó, padre, velho, bebê, tinha até advogado com terno gravata e valise. Um maluco trajando roupas sociais passou tocando alucinadamente uma Alfaia.
Minha família queria subir primeiro à ladeira que levava a igreja da Sé de onde desciam e subiam as principais agremiações carnavalescas. Durante a subida, vendo o horror e o medo ainda estampado na minha face. Meu pai teve a idéia genial de comprar-me uma espada de madeira, com direito a bainha nova e tudo. Com ela em punho comecei a me sentir mais seguro. Era um cavaleiro no meio de demônios, mas agora estava preparado. Ai de quem me atacasse. Saltava de um lado para o outro brandindo a espada contra os inimigos, estes, achando engraçado o que para eles era uma brincadeira apenas sorriam ou simplesmente ignoravam. Aquela arma de brinquedo deu-me uma sensação de poder. Agora estaria pronto para enfrentar qualquer perigo. Era o próprio Amadis de Grécia ou de Gaula.
Exaustos, chegamos à igreja da Sé. A vista de lá é simplesmente espetacular. Vê-se dali toda cidade de Olinda, o porto do Recife apinhado de navios e o mar, o belo e vinoso mar que cerca as duas cidades irmãs. Mas podem ficar tranquilos, como não sou romancista, não tenho a capacidade que só eles possuem de descrever minuciosamente a majestosa visão que tomava conta de minhas, até então, pequenas e jovens retinas. Dito isto, continuarei. Posso?
Enquanto meus familiares comiam alguma coisa e esperavam alguma troça ou bloco passar, eu observava com curiosidade a grande igreja da Sé. Gigantesca aos meus olhos. Resolvi então que fazia-se necessário uma exploração daquele lugar cheio de mistérios. A igreja era cercada interiormente por várias árvores e um imenso jardim que para mim mais parecia uma floresta. Era impossível não ir lá. Por isso nem percebi quando minha família desceu aos pulos em direção à rua da Misericórdia atrás de Pitombeiras dos Quatro Cantos. Estava cego de curiosidade, galguei com certa dificuldade o pequeno muro do templo e saltei para dentro.
O pátio da igreja era só silêncio. Parecia-me que havia transposto um portal para outro mundo. A barulheira do carnaval sumira. Aquela floresta, aquele ermo, mexia com minhas estranhas, fazia arder meu peito, um convite para aventuras. Aquelas árvores frondosas, a solidão de seminário, a lembrança de velhas histórias que diziam que dentro das igrejas antigas se enterravam pessoas, levou-me a outra constatação: estava só, e, sobretudo perdido. O mundo começou a girar, o pavor profundo queimava minha alma, tudo ficava maior, agigantava e eu diminuía.
A minha coragem se fora tão veloz como surgira. Agora tudo era perigo, os sons agora que vinham do lado de fora agora podiam ser escutados, e eram aterradores. Gritos, só ouvia-se gritos e o farfalhar medonho de folhas, os galhos balançando como se quisessem ganhar vida tão somente para tomar a minha. Então, veio as torrentes de lágrimas que lavavam o a grama desperta, mas logo elas gelaram, pois o silêncio interior foi rompido por um grito feminino, distinto e próximo, um grito de desespero e súplica. Por trás deste grito havia algo mais aterrador, um poderoso ribombar de cascos. Não sei explicar o que se seguiu nos segundos seguintes, pois todo meu ser se petrificou de terror. Maldita hora que vim para carnaval, coisa do diabo, agora seria punido, nada mais adequado do que uma igreja. Naquele exato momento todos os pesadelos de menino medroso pareciam que iriam se concretizar, e da forma mais terrível do que a imaginada. Não me lembro como, só sei que no instante seguinte estava eu enfiado no meio do mato, de bruços, espreitando o muro e o portão da igreja. O barulho de cascos aumentava, já conseguia ver o demônio montado num corcel negro, que ao respirar, soltava pavorosas labaredas das narinas, e seu cavaleiro vinha reivindicar minha alma afim que eu vivesse todos os tormentos do inferno por toda eternidade. O barulho era tão intenso que pensei sentir meus tímpanos explodir. Gritei, mas da minha boca não ousou sair som algum, quando vi um vulto transpor num só salto, o muro que a pouco eu tivera dificuldade de galgar. Ao chegar do outro lado, que para minha desgraça era o meu lado, o vulto com formas femininas caiu no chão dolorosamente e então ele gritou, e três criaturas caíram do céu em cima dela. Eu permanecia escondido entre as folhagens, tremendo de medo, medo que me fazia delirar e ver as coisas, digamos, com certa “grandiosidade”. O fato que as três criaturas se preparavam para açoitar a pobre figura que, ainda no chão, implorava misericórdia. Enfiei os olhos na terra a fim de privar as minhas tão tenras retinas de espetáculo tão vil. Contudo, a curiosidade, doce irmã do medo, trouxe-me coragem, ao menos para erguer os olhos e mirar na menina que estava prestes a ser massacrada por aqueles demônios. Ao contemplar aqueles jovens olhos em chamas e as lágrimas a jorrarem miseravelmente daquelas lindas órbitas negras, fui de súbito tomado de uma bravura indômita. Era o próprio Amadis da Grécia, saltei com fúria sobre os demônios que estacaram espantados diante de minha audaciosa investida. Com espada em riste, brandi os mais violentos golpes que meus pequenos braços conseguiram. Ao sentir as primeiras bordoadas, o bando sumiu tão veloz que em pouco tempo já não se ouvia nem mais os uivos de dor, dor esta provocados pelas feridas, provavelmente mortais, causadas pelo meu terrível cutelo. Fiquei por alguns instantes estático no meio daquela selva, tremia muito, era medo, raiva e gáudio de mãos dadas, sentia o sangue correr em cada veia de meus braços, o vento balançava a minha capa, era um herói sem dúvida. Nascera para o ofício. Sir Tullios, o grande cavaleiro... Para completar a cena só faltava o maroto sorriso, como tal era impossível, veio o nervoso riso.
Essas importantes conjecturas foram quebradas por um gemido, ou lamúria? Sei lá, só sei que a menina ainda continuava de cabeça baixa, não sabia que tinha sido salva por mim. De repente, eu não sabia o que fazer. Afinal o que faziam os cavaleiros com as damas após resgatá-las?
— Por favor, não me bate!
Gaguejando um pouco, bem, confesso, gaguejava deveras, eu tentava ainda continuar com meu papel de herói, papel e a pose é claro, a pose era essencial, disse-lhe que não havia o que temer que ela estava salva. Olhando-a com mais cuidado percebi que ela também trajava roupas medievais. Eu continuava a dizer, agora com mais fluidez, que eu havia espantado os malfeitores que estavam a importunar a ... bem... bela dama. Esta última frase foi dita quase como uma pergunta, tinha dúvidas se constava no texto dos cavaleiros a tal “bela dama”. Ao escutar o “bela dama” ela sorriu. Amigos, ela sorriu. Isso não é qualquer coisa não, podes crer. Ela sorriu, e naquele momento nasci de novo. Não há exagero. Era como se eu ainda não tivesse existido antes de ver aquele sorriso, aqueles lábios, aquela luz. Foi um choque, um novo parto, mas agora prazeroso, onde eu via o mundo pela primeira vez, não com saudades do útero acolhedor e temeroso ao me deparar com o novo mundo, mas ansioso para conhecer e explorar todos os mistérios infindáveis que existe no seio da vida, a vida que começara ao ver aquele anjo sorrir, saía da escuridão para repousar meus olhos no brilho daquele sorriso que dizia tudo. Não havia mistérios a decifrar, não havia frio, mas apenas calor, calor amigos, inexplicável para aquele parto. E logo ao nascer percebi que naquele momento eu era outro, um Tullius reencarnado no mesmo corpo, mas a alma era outra, descobri naquele momento que até então havia vivido nas trevas, no umbral dos pecadores, e só agora, só ao vislumbra aquele sorriso, sorri, mudei e descobri a vida, ou talvez quem sabe tinha, como minha mãe previra, descobri a minha Julieta num dia de carnaval.
By- Adriano Cabral.
“Extraído do Romance Almas Perdidas”.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Memórias de Uma Outra Vida
- Eu te amo!
-Você sente isso agora?
-Sinto!
-Além de amor o que você sente neste instante?
-Sensação de liberdade! Ela esqueceu dizer que havia outra... Saudade, pois mesmo naquele momento quase sublime, onde aqueles amantes declararavam seu desejo e sentimento completamente despidos de quaisquer vestes do corpo ou da alma, ela sabia que estavam perto do fim. Contudo, se as palavras que saíam de sua boca ocultavam as que diziam seu coração, os olhos a denunciaram.
- O que você tem?
- Tenho medo! Muito medo! Ao ouvir isso ele fez uma pergunta, mas ele já sabia a verdadeira resposta.
- Do que você tem medo meu anjo?
- Medo de estragar tudo,sou muito imprevisível, acho que de repente posso por tudo a perder. Essas palavras foram ditas num tom melancólico onde as lágrimas se não se apresentaram completamente, se delinearam em seus olhos. Não foi por acaso que o rapaz começou a contar meias mentiras.
- Não tenha medo, você era imprevisível quando te conheci, agora você mudou, é uma pessoa melhor. Nós somos perfeitos juntos não?
- Sim, perfeitos!Disse ela num breve sorriso, verdade. Ele continuou a proferir as palavras certas, mas ele sabia que nos ouvidos errados, elas não se tornariam realidade.
- Pois bem, agora que você sente tudo isso, não acredito mais na Júlia imprevisível que opta por ser segunda opção, alternativa e sustentação de uma relação destroçada. Acho que finalmente você percebeu que há um mundo fora da caverna, um mundo cheio de desejo, afeto, luz e poesia. Ao ouvir isso ela assentiu mais triste ainda. Ele sorriu e a beijou, sabia que todo esforço era inútil, que mesmo as estrelas estão indelevelmente a caminho do crepúsculo.
Logo depois eles entoaram uma canção de amor, mas desta vez não foi apenas desejo que embalava aquela música, a melodia deles era a mais pura emoção gritada por suas peles, era ternura presente no olhar, nos beijos, nas carícias. Ela cantava seu nome sem cessar, como um refrão, numa voz que entoava um inexplicável tom de lascívia, amor e dor. Ele abraçava-a vigorosamente, como se quisesse impedir que escapasse de seus braços, ela dançava no mesmo ritmo e fincava as mãos e unhas em suas costas, nuca com tanta força que feria a carne que ela ansiava desesperadamente por não deixar. As respirações ofegantes juntamente com frêmito ranger da cama serviam como percussão.
Não eram apenas os corpos que se uniam, eram duas almas que se fundiam, mas ocultavam seus medos e desesperos, pois elas sabiam que poderia ser a última vez. E a derradeira nota veio com o clímax intenso, sofrido, canção da despedida. Pela última vez ela repetiu seu nome, e finalmente as lágrimas partiram para o vazio, mas ela fez de tudo para oculta-las, afinal, aquilo tudo deveria ter sido apenas um sonho.
Combinaram de não se encontrar no dia seguinte, afinal, nas duas últimas semanas tinham se visto todos os dias. Ele sabia que aquele dia seria decisivo para ambos. Ela tinha consciência do que era preciso para sobreviverem, no entanto, no dia seguinte, finalmente diante da decisão, ela preferiu não escolher, mas lá no fundo sabia que a resolução tinha sido tomada.
Da última vez que os amantes se encontraram ela tentou fingir que não sabia o que iria ocorrer e indagou o que estava acontecendo. Ele fingiu que não era nada demais e sorriu, pegou a mão dela e a sentiu tesa, tensa. Ninguém sairia impune ao assassinar dois belos amantes, pensou ele. Então ele a fez sentar em seu colo e relembrou sucintamente de tudo que passaram até ali, abraçou-a, e confessou-lhe que já sabia que era chegada à hora do fim. Ao ouvir isso, mesmo sabendo do que estava por vir, Júlia se sentiu surpreendida, lá no fundo acreditava que teria mais tempo, tentou ser hostil, não queria se desmanchar, não queria expor quão devastada estava diante daquela situação. Sentindo sua aflição ele voltou a falar de todo sentimento que tinha por ela, e que no final das contas, tudo foi uma questão de escolha, e desta vez, ela não coube a ele, e na omissão dela já havia um veredito, não seria mais possível que os dois amantes continuassem, não haveria condições de se criar novas história.
E no final da canção houve um beijo de despedida, sem brigas, sem dramas expostos, mas tão profundamente triste. Após o beijo veio um abraço tão forte.
-Você sente o mesmo que eu?
-Sinto
-A vontade de não mais lagar...
-Como sou burra, burra, burra! Chegamos tão perto...
-Eu sei, nós fomos perfeitos, nós demos certo.
-Ta bom, adeus! Até outra vida...
By-Adriano Cabral
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Falta
Era pra ser apenas algo cômodo, tranquilo, que pudesse me distrair na hora monótona ou me fazer sorrir na hora triste. Eu vivia repetindo que não queria nada sério, mas quem levar a sério essa história de controlar nosso querer não sabe nada dessa vida não, e eu definitivamente não sabia.
E agora sinto falta das coisas que esqueci
Sinto falta daquele par de brincos que se perderam no abismo existente entre o teu colchão e o chão.
Sinto falta dos meus óculos escuros de camelô que esqueci de propósito no porta luvas de seu carro e quebrou, ainda bem, pois sei que ainda está lá perdido, partido, esquecido, mas de alguma forma contigo, sem essa imensa dor.
Sinto falta de minhas sandálias quase sempre encardidas que eu prometia todo dia lavar, quantas promessas!
Sinto falta da minha chícara de café florida de três reais, das tantas vezes que na hora de partir lembrar sempre "de última hora" que ainda teríamos que comprar pão.
Sinto falta do teu colchão de espuma, dos lençois que pareciam se eternizar na cama, dos travesseiros disformes e macios, da tampa do baú que às vezes caía no frenesi das manhãs, tardes e noites quentes.
Sinto falta dos lugares mais variados que você encontrava para comer comida gostosa, de as vezes de improviso, a noite, ir a praia e mergulhar no mar de águas mornas.
Sinto tanta falta, que às vezes dou gargalhadas quando tomo o ônibus e ele se enterra num bueiro ou quando falo baixinho algo em qualquer ouvido.
Sinto falta de todos os poemas e textos lidos, daqueles que nem ainda foram escritos,
Dos presentes ainda não recebidos e de todas às vezes que não viajei contigo.
O fato é que sinto falta, e pensando em tudo isso, às vezes acho que sinto até mesmo falta de você.
by- Adriano Cabral
quinta-feira, 13 de maio de 2010
MEDO
Definitivamente só. Não era só questão de fisicamente e emocionalmente estar só. O ponto é que antes dele, Naty sentia-se ontologicamente (esta palavra ela aprendera com ele) só. Como todas às coisas espetaculares da vida ele surgiu (ou fôra imaginado?) quando tudo, definitivamente, parecia não fazer mais sentido e a esperança era ave fugidia que singrava os céus em muitas direções, menos no caminho da nossa querida heroína. Então imagine o turbilhão de sentimentos que envolveram-na naqueles dias em que a tal ave não só passou perto dela, mas pousou em suas mãos e la repousou, como se finalmente tivesse encontrado um lar.
E como não podia deixar de ser, naqueles tempos em que deixou-se sonhar, os dias se confundiram com a noite e estas eram compostas de sonhos despertos que se prologavam até a aurora. Afinal, ela já estava cansada de...
Dormir.
De forma alguma, ele não se apresentava como alguém perfeito. Mas um ser cheio de genuínos, até mesmo gritantes e paradoxalmente, não obstante às vezes lhe irritarem profundamente, cativantes defeitos. Alguém que um dia teve o coração despedaçado, e na calada da madrugada, oferecia os fragmentos ainda pulsantes pra ela que, com seu toque, os fazia cintilar.
E foi assim que numa noite, ou será dia, ele ofereceu-lhe a mão, e ela praticamente coagida pela força do sentimento, aceitou. Neste dia talvez tenha chorado, mas cada lágrima que caía saltitava, feliz. E seus sorrisos estavam em todos os lugares.
Até que numa noite de encontro marcado, ela não esperou e dormiu. Até que numa noite em que o amor deveria ser consolidado, ela, sonolenta? Do outro lado da linha surgiu, e entre bocejos estrondosos disse:
- Sabe, no fundo acho que você não iria gostar de mim. Não satisfeita continuou. Sabe, estou com sono, neste estado ficou mais chata e impaciente, mesmo assim preferi vir aqui falar contigo. E o pavor se fez presente...
-Quero te fazer uma pergunta, por quê você gosta de mim? Sentir? Não. Racionalizar, medir, pesar, calcular, classificar, e trucidar qualquer sorriso dos lábios do poeta.
Não satisfeita com o silêncio ela insistiu.
-Quero que você diga logo, porque você gosta de mim, porque. Quero uma resposta, o motivo, a razão, quero entender. Acho que você não vai gostar de mim de verdade, sou insuportável, sou isso, não sou só uma mulher doce, meiga e carinhosa. Sou assim sabe, extremamente chata. E fuzilou: Sou assim com todo mundo sabe...
- Então me esqueça. Foi a única frase que ele, desesperado, proferiu. Mudamente suspirou: Enfim, ela conseguiu... E nisso partiu.
Naquele instante Naty não tinha mais sono. Ela sabia que teria muito tempo para dormir. Estava em choque, agora quem não conseguia entender mais nada era sua alma. Só sabia que um crime perfeito acabara de ser cometido. Agora era seu coração que estava despeçado. Foi para cama, olhos vítreos. De novo, definitivamente só.
By Adriano Cabral.
By Adriano Cabral.
domingo, 25 de outubro de 2009
SEGREDOS DE UM SER ROBOTIZADO PARTE 1
Como sabes que o amo meu amigo?Seriam as muitas estrelas que á noite em palestra contam tudo pra você?
Ou tens o dom de discernir meus sentidos que tanto ás vezes
Sufoco
Escondo
E nem ligo?
Como sabes que o amo? Como sabes meus segredos se eu nunca te contei?
Será que as muitas estrelas que á noite contigo conversam também te dizes que sou um ser robotizado?
E mesmo sendo robô também as entende?
Dizem-te que um ser robotizado também sofre, e sofre muito mais por sofrer calado?
E que nas noites, sozinho em seu quarto também verte lágrimas de ferrugem?
Será que as muitas estrelas também te dizem que eu sei que viver por viver assim sem tua presença a felicidade parece algo impossível?
Mesmo assim, eu te digo
Não me procure
Não me olhe
Não me ame
Não tente me entender.
Autora: Helena Souza
Quer descobrir como surgiu esse poema? leia a continuação logo abaixo.
domingo, 13 de setembro de 2009
ALMAS GÊMEAS
(Cena belíssima extraída do filme Grandes Esperanças, onde um garoto é "amaldiçoado" com um amor desde a infância através de um inusitado e saboroso beijo)
Ele acordara como sempre. Um salto. Estava ansioso para que o dia chegasse. Era Sábado. Ele poderia brincar o dia todo. Jogar vôlei. Era isso que mais queria fazer naquele dia.
Em pouco tempo ele já estava sob a janela do apartamento de seu amigo Alux chamando-o para sair. O próximo passo era chamar Meiriane, para que esta chamasse Paula, era o jeito. Que criatura odiosa era esta Paula, pensava nosso rapaz. Ah! O nome dele? Alex. Ele não suportava os modos superiores de Paula. Tanta altivez, vocabulário tão empolado para uma menina de 13 anos que fazia questão de quando não compreendida por algum amigo, de mandar-lhe eliminar a referida dúvida num dicionário de bolso que ela sempre trazia consigo, "para os iletrados". Uma menina cheia de não me toques, autoritária, queria liderar todas as brincadeiras, impor tudo.
Ô saco! Pensava Alex. Todos da turma a adulavam e faziam sua vontade. Exceto ele, é claro, jamais faria tal coisa, jamais se sujeitaria aos caprichos daquela pirralha. Ele mostraria pra ela quem é que manda quem era superior. Por isso, desde o dia que a conheceu, atacava-a sempre que possível. Aperfeiçoava seu vocabulário, que acreditava ele já ser ótimo, mas que agora queria maravilhoso, perfeito. Disputava com ela a liderança. Quando brincavam de sete corta, ela sempre era seu principal alvo. Provaria para ela quem deveria ser o líder ali.
Mesmo brigando quase todo dia, Paula e Alex estavam invariavelmente juntos. Mas sem trégua. Quantas indiretas ou alusões e remoques como prefeririam eles. Quantos testes intelectuais e de poder. Quantas farpas e verdadeiros mísseis eram lançados de cada lado.
A verdade é que Paula era uma morena bonita. Morena de verdade, africana, nascida em Luanda. Tinha grandes cabelos cacheados que chegavam ao ombro. E era incrivelmente culta para uma menina daquela idade. A mesma idade de Alex por sinal. Ele ao menos reconhecia nela uma rival a altura. Mas tinha certeza que iria esmagá-la.
Certa vez, ao perder uma "disputa de poder" para se definir qual a brincadeira da tarde, ele se sentiu o último dos homens, mortalmente ferido e apelou. Disse que estava rodeado de idiotas, molóides, que seguiam aquela bruxa. Ela respondeu com a calma gélida típica dela, que quando o adversário ataca fisicamente corrobora tão somente a sua pobreza de alma. Tais palavras despertaram nele uma cólera profunda que resultou nestas palavras ditas com desdém e escarninho:
— Humm! Miséria da alma. Todos os gnomos e doentes do corpo apelam para alma. Para o "espírito" quando em verdade tentam tão somente esquecer sua própria feiúra. Você se vangloria de sua "alma", pois sabes muito bem que tens face de bruxa. Sei que muita vez que te olhas no espelho tens ânsias de quebrá-lo ao contemplar este teu vil e dantesco semblante. Agora nega, nega que te odeias, que desprezas as tuas formas. Que busca na cultura a fuga para tua cara horrorosa? Nega?
Tais palavras foram ditas com tamanha força e desdém que pela primeira vez Paula fraquejou diante de seu "adversário". Faltarem-lhe palavras. Não conteve o choro. E ocorreu o inusitado, ela fugiu. Todos que assistiram a cena reprovavam Alex, mas não ousavam abrir a boca, apenas se foram deixando-o só. Temiam sua língua ferina. Ele sorria triunfante até olhar em volta e finalmente notar que estava só, cerrou a face e ficou a refletir se não fora duro demais com a menina. Ele sabia muito bem como ferir uma pessoa, ele sabia.
Depois de alguns dias de ausência. Ela reapareceu igual como antes. Só que desta vez mais altiva e exigente, mas ácida, mais feroz, principalmente para Alex. Todos os demais tremiam quando aquele casal se atracava naquele duelo de alusões, remoques, palavras duras e sem sentido para os demais. Alex acreditava nutrir verdadeiro ódio pela menina. Mas não passava um só dia sem que ele a visse.
Mais um Sábado. Mas desta vez diferente, bem distinto dos demais. Como de costume Alex fora na casa de seu amigo Alux, mas ele lá não estava. Nem ele nem ninguém. Parecia que todo mundo havia viajado naquele final de semana. Só lhe restou chamar Paula. Com certeza naquele dia se matariam. Pensou ele. Ela ao divisá-lo da janela, lançou-lhe um olhar contrariado. Mesmo assim saiu com a bola de vôlei na mão. E pela primeira vez, não portava o seu inseparável dicionário. As duas crianças brincaram com a bola até se cansarem. Já exaustos. Sentaram em silêncio um ao lado do outro. Ela se aproximou mais ainda. Ficaram muito perto. Ele sentia a coxa suada dela batendo na dele. Naquele momento sem saber por que, tremeu.
Foi ele quem rompeu o silêncio. Começou a falar da África, perguntou como ela viria a parar em Recife. Ela falou que todas estas viagens se davam em razão do trabalho do pai. Que já morara em Portugal, Espanha, Argentina e agora estava no Brasil. E que em breve, se mudaria de novo. Só não sabia para onde. Enquanto falava ela balançava as pernas e sorria muito. Ele não conseguia entender aquela cara. Aquela voz afetuosa, aquele lindo, meu deus, que belo sorriso, aquele balançar de pernas. Seu coração batia acelerado. Ele não entendia por que.
Teve a súbita vontade de pegar-lhe a mão. Suava. Mesmo nesta confusão de sensações, mesmo sem compreender, ele estava adorando aquele momento. Pegou a mão da "inimiga", no mesmo instante ele sentiu um forte tremor. O rosto sorridente da menina por um instante foi tomado de verdadeiro terror. Ambos ficaram mudos a se fitar. As mãos de ambos, entrelaçadas fortemente, trepidavam. Silêncio. Dir-se-ia que pararam de respirar. E as cabeças se aproximaram para um irresistível, fatal beijo, um beijo ardente, forte, mas estamos falando de duas crianças amigo; Portanto a expressão de toda essa erupção de sentimentos foi apenas o tocar dos lábios, um leve roçar de lábios que durou um segundo. Para logo ambos soltarem as mãos e baixarem ás frontes envergonhados da "fraqueza". O silêncio, agora angustiante imperou novamente. Foi ela desta vez que o rompeu:
— Alex, já notou que somos iguais? Já percebeu como agimos, vivemos e falamos da mesma forma, temos a mesma cultura. Temos o mesmo espírito indômito, a mesma sagacidade e acidez nos debates, semelhança no trato com as pessoas, até mesmo no se vestir? Temos também as mesmas fraquezas, provavelmente os mesmos medos e anseios. Alex somos...
— Almas gêmeas? De forma alguma, com certeza eu sou melhor...
Ela o interrompeu falando:
—Alex, você sabe muito bem que isso tudo é uma bobagem. Que no fundo mais admiramos uma ao outro do que qualquer outra coisa. Que fingimos nos odiar porque temos medo de nos entregar. Reconhecer que somos frágeis diante do outro. Que precisamos um do outro, porque juntos nos sentimos fortes e seguros.
Aquelas palavras saídas placidamente da boca de Paula deixaram Alex atordoado. Mas ele não se renderia. Não. Com certeza ela estava tentando manipulá-lo para depois zombar dele. Começou a soltar farpas. Tantas que o semblante de Paula outrora plácido começou a se mostrar perturbado até que ela pronunciou estas palavras:
— Não. Na verdade na forma errada de se expressar você tem razão. Nós nunca iremos dar certo mesmo. Nunca. Justamente por que temos este orgulho idiota que se sobrepõe a tudo. Mesmo a este sentimento puro que nutrimos um pelo outro e você se recusa a admitir. Este orgulho vem do medo. Esta máscara de intelectualóide não serve para esconder nossa suposta feiúra, e sim para no esconder, nos proteger do amor, de um dia ter que sentir a necessidade e ter outra pessoa ao nosso lado, e perdê-la. Somos parecidos demais e tão inteligentes, mas tão burros que romperíamos na primeira briga, no primeiro arrufo. E nenhum dos dois cederia. Jamais seremos mais do que "amigos" justamente porque somos parecidos demais.
Todas estas palavras foram ditas com uma profunda melancolia que o menino interpretava como o mais puro fingimento. Estava acabrunhado nosso menino. Quase, quase que caía na pérfida armadilha da menina, quase. Mas não era bobo.
Como vingança travou uma verdadeira guerra contra a Paula. Dentre outras ações conseguiu que todos os amigos dela a abandonassem envenenando-os contra ela. Ela merecia. Como pode uma menina querer brincar assim com os sentimentos de alguém. Graças a Deus que ele não sentia nada por ela. Se sentisse hein? Seria mais um bobo da corte.
Certa noite ficara muito confuso ao vê-la chorar sozinha num canto. Sua melhor amiga, a Patrícia, foi ter com ele. Pediu muito para que ele fizesse as pazes com a Paula. Ele se recusava. Dizia que ela era uma pérfida, uma louca. A outra negava, dizia que os dois poderiam fazer grandes coisas juntos se ele fosse um pouco inteligente. De nada adiantou. Mesmo ficando um pouco em dúvida quando viu sua "inimiga" aos prantos. Ele não cedeu.
Dias depois ele soube que ela se mudaria para Aracajú. Sem saber por que ele sentiu uma facada no peito. Um desânimo tomou conta dele. Não sabia por que, mas a partir do momento que tomou ciência da partida da menina ele estava mal. Muito mal mesmo. Ela se foi. Ele ainda estava sem compreender porque estava cada vez mais difícil dormir. Adoecera. Ficava vagando só. Não conseguia entender a origem de seu mal. Tudo durou uma semana. Até que Alux quem deu o diagnóstico óbvio: Você está assim porque sente falta da Paula. Ele sentiu um choque. Mas viu a verdade nas palavras do amigo. Duras verdades. Ele gostava de Paula, nunca reconhecera. E tudo que vivera com ela passou pela sua cabeça. Foi quando percebeu pasmo que ela também gostava dele.
Criou coragem e escreveu uma longa carta onde abriu seu coração. Ela respondeu da mesma forma. Foram mais de 50 cartas durante um ano. Inúmeras horas de telefone. Até que pouco antes dela vir ao Recife para visita, como não poderia deixar de ser eles brigaram por uma coisinha qualquer. E nenhum dos dois cedeu.
Quando ambos finalmente se encontraram por acaso houve apenas um olhar, um triste olhar e o silêncio, o terrível e odioso silêncio. E uma eternidade para curar as feridas e recordar do sonho.
A distancia não é medida pelos quilômetros dos infindáveis desertos, nem pela grande distancia que se terá que percorrer para atravessar os grandes oceanos, a verdadeira distância é forjada por nossos espíritos que conseguem que, mesmo ao lado outro dois seres sintam-se tão distantes como se o profundo abismo da morte os separassem.
Adriano Cabral
Adriano Cabral
quarta-feira, 20 de maio de 2009
ESTAMOS COM FOME DE AMOR

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamo-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô, gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à Dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz.
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamo-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô, gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à Dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz.
Texto atribuído a Arnaldo Jabor
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