Acabei de ver um filme tolo chamado Forças do Destino. É aquela típica comédia romântica que traz um casal bonitinho demais, no caso específiico Ben Affleck e Sandra Bullock.
Na história, Ben é um homem fechado, tímido, contido em excesso, que está de casamento marcado mas em razão das "forças do destino" ele acaba fazendo uma longa viagem ao lado da espevitada e louca Sandra Bullock, que óbviamente, é o completo oposto dele. No decorrer do filme, como era de se esperar, eles se envolvem e pra "variar" Ben descobre com Sandra o "prazer das coisas simples e tolas", tais como tomar banho de chuva, cair na piscina com roupas e fazer tantas outras loucuras "românticas" que boa parte das pessoas se negam porque tem "gente olhando" ou porque não "quer se expor".
Enquanto Ben flerta com Sandra, sua noiva angustiada com a demora do futuro marido em chegar na cidade onde se casariam, acaba se envolvendo com um ex namorado. Parecia tudo certinho hein? No final Sandra ficaria com Ben e sua até então noiva com o ex.
Bem, quem não quiser saber o final do filme não leia as linhas seguintes. Surpreendentemente no final do filme, no meio de uma tempestade, Ben diz para noiva que a ama muito e que durante a viagem acabou encontrando alguém e ficou indeciso quanto ao seu casamento, no mesmo instante ela tenta explicar que acabou ficando com o ex namorado, no entanto ele interrompe alegando que no meio das dúvidas, percebeu que ele tinha uma visão utópica e tola do amor. Nesta visão boba, o simples fato de amar alguém criaria uma redoma indestrutível na qual ele ficaria totalmente protegido de sentir atração ou até se apaixonar por outra pessoa, no entanto ele se sentiu não só atraído como também apaixonado, mas a dúvida somente reforçou o sentimento superior que é o amor. Justamente ele aprendeu que essa bolha protetora não existe, e o milagre do amor é criar essa camada protetora através da luta diária e constante para manter dois seres unidos (Não exatamente com essas palavras). E em meio a tempestade eles se casam e logo após aparecem como "tolos" beijando-se na praia, na rua, ao sair do carro, enfim como dois "exibicionistas apaixonados" .
Ao terminar o filme confesso que me emocionei, ando mais sensível que o normal, e realmente cada vez tenho mais inveja dessas pessoas (mesmo as fictícias) que tenham alguém que aprecie a boboquice de amar e ser amado.
E quer saber? Já fui um idiota no pior sentido da palavra, despedacei corações e fui cruel com algumas pessoas que talvez não merecessem isso de mim. No processo acabei não só traindo a confiança de terceiros como acabei destruindo a melhor parte de mim mesmo, tudo porque um dia "tive meu coração partido".
Mas quer saber? Hoje me sinto limpo e com o coração puro, não vou mais lamentar pelo meu passado e vou lutar pelo meu futuro e por quem efetivamente queira participar dele.
No mundo dos contos de fadas as relações amorosas são perfeitas, ninguém erra, todo mundo é legal o tempo todo e ninguém magoa brutalmente ninguém. Por causa dessa ladainha imbecil que há tantas pessoas amargas e desencantadas com a vida a dois pois insistem em viver uma ilusão e obviamente o resultado é a desilusão. Aceitar a possibilidade de uma relação onde as pessoas erram, aprendem e se perdoam parece algo abominável demais quando se exige perfeição. Diante dessa insanidade perfeita, as relações tornam-se descartáveis, afinal, perfeição não comporta falhas. Mesmo amando, não estamos imunes a dúvidas, atrações ou até mesmo paixões, mas daí vem a capacidade do ser humano julgar o que é essencial. Conheci muita gente que não quis abrir mão de uma balada, uma viagem, uma paixão, e no processo acabou perdendo o grande amor de sua vida. Essas pessoas não sabiam dosar que era necessário renunciar o que era efêmero, casual e comum para cultivar o que seria duradouro, profundo e raro.
O problema é que vivemos no auge do individualismo-covarde-emocional onde se prega o "desapego", não da forma budista e cristã, mas apenas como forma de reforçar o seu eu. Só que, cada vez estou mais convencido que o desejo mais secreto de todo ser humano é sentir-se livre o suficiente para se entregar de corpo e alma a alguém, esta sim é talvez a melhor forma de ser livre.
O problema é que vivemos no auge do individualismo-covarde-emocional onde se prega o "desapego", não da forma budista e cristã, mas apenas como forma de reforçar o seu eu. Só que, cada vez estou mais convencido que o desejo mais secreto de todo ser humano é sentir-se livre o suficiente para se entregar de corpo e alma a alguém, esta sim é talvez a melhor forma de ser livre.
As pessoas, inclusive aparentemente adultas, vivem em função das "frases feitas. O amor não torna seres humanos Deuses impassíveis de falhas. Ao contrário, o amor é uma plantinha rara, mas como todas elas, é muito frágil e qualquer coisa pode sim destruí-lo. Existem talvez muitas pessoas boas por aí, mas pouquíssimas, ou pior,´comumente apenas uma vai inspirar este sentimento raro, e justamente por isso que ás vezes se luta contra o fogo e o tempo para manter essa pessoa conosco.
Quer saber? Sou um tolo romântico, impefeito, cheio de defeitos tal qual qualquer membro da raça humana, mas sei me doar e me dedicar como poucos, sei que sou uma pessoa que merece o melhor que a vida pode oferecer.
No mundo adulto é apenas o casal que deve decidir e viver sua vida. A vida em comum depende só e únicamente de dois seres e fim.
Não são as forças do destino, os guias espirituais, a astrologia nem as frases feitas que devem guiar nossas vidas, não são os manuais, não são os sábios, não é o amor medieval que se estende até os nossos dias que vão pautar nossas vidas,apenas nós, nós mesmos que devemos viver e encontrar nossos caminhos.
Pense, ou melhor sinta isso.
Pense, ou melhor sinta isso.
Adriano Cabral
Redigido no dia 19/07/2009


