segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um Amor Para Toda Vida (parte 2) - Morte e Vida


     
      Após a palestra fui direto ao aeroporto, a saudade da minha terra era imensa, ô ditado perfeito: Não há lugar melhor que o lar. Mesmo assim não me arrependo de ter passado meus últimos três anos na paulicéia desvairada, aprendi muito, tive tempo o suficiente para superar o  estressante divórcio com aquele ser nauseante e voltava pra casa revigorada. Antes de subir no avião liguei novamente para minha mãe, e de novo, estranhamente ninguém atendeu. Ainda bem que meu tio ligou-me hoje cedo dizendo que tava tudo bem e a mamy tava na casa da vovó que de teimosa nao tinha telefone. No final das contas a mãe era a única pessoa no mundo com quem tive uma recíproca história de amor. Não, não me julguem, naqueles tempos o conto de fadas nunca vivido era algo que trabalhei bastante para esquecer. Laborei tão bem que realmente acreditava que tudo aquilo era nada... ou quase nada, afinal, já estava com 25 anos e um divórcio nas costas e a vida adulta para viver. Adeus sonhos de criança.
      Cheguei ao prédio da minha avó no final da tarde,  ainda estava subindo lentamente as escadas dirigindo-me ao segundo andar e no caminho deparei-me com minha amiga de infância Mirela que assustou-me ao abraçar-me fortemente. Olhei-a espantada e ela faou com toda formalidade de praxe: meus pêsames. Naquele instante foi como se um raio fritasse meu cérebro, minha nuca, porque você ta falando isso, balbuciei já imaginando a resposta. Você não sabe? Sua mãe faleceu. Respirei fundo e de repente o ar começou a faltar-me, fiquei hirta como um cadáver, abri os olhos ao máximo mas não via nada na minha frente, comecei a despencar e tudo ficou escuro...
      O teto branco começou a aparecer e pouco a pouco fui recobrando os sentidos. Meu corpo estava pesado e as pálpebras tinham dificuldades de manter-se erguidas. Percebi que estava numa cama, o quarto era familiar, mas não sabia onde estava. Tentei levantar-me mas estava muito zonza, lembrei-me da cena com Mirela e da suposta queda nas escadas e pensei que provavelmente aquilo teria sido um sonho, afinal, não obstante sonolência não estava ferida, logo não tinha caído e minha mãe estava viva. Uma voz grave e suave disse: calma Estrelinha. Meus olhos seguiram o som  e de repente notei que no canto do quarto um homem me olhava, seu rosto aos poucos foi se formando através de minha visão ainda embaçada, meus nervos começaram a entrar em ebulição quando seu rosto ficou nítido, havia um grande pesar em sua face, uma mistura de tristeza e piedade. Ele veio até a borda da cama e segurou minha mão. Gelei ao mesmo tempo que meus olhos formaram uma grande tormenta de lágrimas, e entre soluços e gemidos ele me abraçou. Eu chorava pela minha mãe, a única pessoa que amei e fui amada, eu chorava porque jamais iria vê-la, sentir seu cheiro, receber seus abraços e suas queixas, e ouvir sua risada gostosa.

Chorei mais dolorosamente porque um sentimento que tinha certeza que estava morto ressuscitava de forma lancinante e insana, naquele mesmo instante, com toda dor da saudade, das tempestades outrora vividas, das desesperadas tentativas frustradas de viver de forma diferente, da mágoa de nunca ter sido sequer notada. Foi naquele instante que minhas lágrimas foram sufocadas por um beijo, intenso, longo, sofrido, supremo, plangente, cheio de culpa, desejo, desespero, pesar, gáudio, horror, cheio de amor. Sim, no dia que o amor morreu ele surgiu como um monstro de luz e desejo. Foi neste dia que Davi deu-me o primeiro beijo, logo em seguida deitei novamente estava em completo torpor, segurando a mão dele desfaleci.
      Quando despertei já era manhã e dona Adelaide assomou à porta chamando-me de filha e explicando que não precisava preocupar-me com a minha avó. Logo soube que ela havia sido socorrida durante o enterro de minha mãe e estava hospitalizada sob efeito de sedativos. Fora desejo de minha mãe que eu não fosse informada da sua morte, queria poupar-me para não estragar meu grande momento em São Paulo. O enterro havia sido na manhã de ontem, Davi quem se responsabilizou de tudo, ele estava de férias e passava uns dias com a mãe enquanto sua esposa estava em missões evangélicas no norte do país e só retornaria em 15 dias. Ao ouvir a menção da esposa dele senti um calafrio na espinha. Eu não tinha ninguém na cidade, minha mãe morta,  minha avó no hospital. Dona Adelaide insistiu para que eu ficasse hospedada na casa dela até quando fosse necessário. Não tive muitas forças para recusar. 
      Quando Dona Adelaide saíu do quarto recomecei a planger, desta vez contida e silenciosamente. Vários sentimentos guerreavam dentro de mim, a dor da perda, o medo pela minha avó, a saudade, a culpa de ter beijado um homem casado e ao imaginar que nos próximos 15 dias ele estaria ali a sós comigo, fiquei horrorizada comigo mesmo pois no meio das lágrimas...
Sorri.
Continua clicando aqui
by-Adriano Cabral

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um Amor Para Toda Vida (parte 1)


      Toda história de amor tem um início e a minha começa com que seria o mais terrível tombo do mundo. Calma, explico, lá estava eu aos 9 anos correndo como um foguete em direção a sala de aula para pegar minha bolsa, tinha acabado a aula de judô, ainda estava de quimono, quando tropecei na escada, estava em queda livre, de costas, provavelmente morreria com o tombo, no entanto alguém impediu fatídico deslance.
-Bem que tinha lido no horóscopo  que havia grandes chances de encontrar meu grande amor, mas não esperava que ela cairia direto em meus braços.
- Brigada moço. Falei no misto de encanto, vergonha e ainda tomada da adrenalina da quase queda. Estava suja, suada e completamente descabelada em razão do judô. 
- Não há o que agradecer, não é todo dia que cai-me nos braços belíssimas garotas, mesmo que venham em miniatura, qual seu nome meu anjo?
-Ester
-Então é muito mais que anjo, é uma estrela, como é pequena serás a estrelinha.
E lá estava ele pela primeira vez falando comigo, indagou-me pelo irmão dele que estudava na minha turma de nome Flávio. Logo ele foi me informando que tinha ido lá falar com a diretora em razão das baixas notas do irmão. Veio no lugar da mãe que não podia vir, não sabia mais o que fazer pois também não tinha tanto tempo para ensinar ao irmãozinho. Diante do meu olhar prescrutador ele riu  falando:
- Sério, sou irmão dele, não sou tão velho, tenho apenas 22 anos.
-Quer dizer que você queria que Flávio estudasse mais?
-Sim, claro.
- Eu posso te ajudar se você me levar pra sua casa nos finais de semana, adoro o conjunto habitacional que vocês moram. A gente estuda e brinca e todos ficam felizes. Nem precisa fazer essa cara, meus pais deixarão.
- Fechado Estrelinha
-Seu nome?
-Davi.
      E a melhor parte da minha vida dos 9 aos 13 anos era ir nos finais de semana estudar com o chato do Flávio. Davi sempre ia e trazía-me de volta, neste intervalo falava comigo sem parar, na verdade monologava, pois calada quase sempre eu estava contudo meu sorriso ficava praticamente cravado em minha face. Pra que falar e interromper o som daquela voz que ,não obstante ser grave e forte, sempre falava coisas divertidas e interessantes. Muitas vezes na companhia do Flávio íamos tomar sorvete ou passear no parque. Mas não há felicidade que dure pra sempre e Flávio mudou de escola. Confesso que naquela época não tinha processado ainda o que se passava comigo, mas aos 14 anos tornei-me uma adolescente bastante mal humorada e triste. Para minha sorte minha avó tornou-se vizinha de Davi e ao menos uma vez por mês arranjava uma desculpa pra ao menos dar um olá. Para piorar naquele mesmo ano vi Davi aos beijos com uma mulher, foi como se tivesse tombado, não de uma escada mas sim de um grande abismo, não podia acreditar naquilo, corri para casa da minha avó e minhas órbitas explodiram numa chuva de raiva e tristeza. Foi aí que percebi que o amava e precisava tê-lo comigo a qualquer custo.
      Nos anos que se seguiram fiz o projeto 18, imaginei que ao ficar adulta, poderia mostrar pra ele que não era mais aquela garotinha. Portanto, as visitas foram se tornando mais raras a fim que ele fosse esquecendo que um dia eu fora a pequenina que tomou nos braços. Não deixei de visitá-lo, mas em intervalos bem maiores. Meu intuito era que o tempo passasse e um dia ele me visse pensasse: Uau! Quando você se tornou essa linda mulher! Sempre trocávamos cartas, sim naquela época ainda se escrevia essas coisas, nelas ele me falava com entusiasmo do mestrado em história e de sua formação em teologia, queria ser pastor, enquanto eu falava de toda minha vidinha e de como ela era mais legal desde que o conheci (risos). Assim mesmo longe não deixava ele me esquecer nunca. Um mês após completar 18 fui na casa dele. Já fazia seis meses que não nos víamos e um mês sem cartas. Cada toque da campainha meu coração saltava no vestido apertado, que demora pra atenderem.
-Boa tarde senhora Adelaide, como vai! Tudo bem? Que ótimo! O Davi não está? Onde? O que? Casou?.
Sim, o inesperado aconteceu. E lá estava eu caindo novamente, mas desta vez não se tratava de um mero abismo sem fim que até então eu singrava, era o próprio inferno que se abria e devorava minha alma. Depois não me recordo muito bem o que aconteceu, só sei que ao voltar pra casa tinha certeza que minha vida acabaria naquele dia. Mas sobrevivi, os dias se passaram, as noites também, e mesmo que desde então tenha vivido como um zumbi, a vida seguiu adiante. Acabei aceitando uma proposta de namoro na falta de algo melhor pra fazer e em poucos anos fiquei noiva. O nome dele era André, professor de educação física de uma academia simplesmente me idolatrava. Seu ânimo e sua dedicação me entusiasmava mais do que qualquer coisa. A dor da perda do meu amor de infância ainda estava lá, mas eu tinha que seguir em frente pois naqueles tempos escuros não acreditava que haveria mais chances de cair de novo nos braços do Davi. No entanto, o futuro, companheiro da surpresa e amigo do passado  das pessoas apaixonadas nos pregou uma peça e acabei de forma inesperada estreitada carinhosamente nos braços de Davi. Mas isso será contado na outra história.

Continua clicando aqui

by- Adriano Cabral

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A PRECE

     
      Jessé tinha saído da igreja definitivamente impressionado. Toda aquela história do retorno de alguém que jamais poderia voltar lhe pertubou. Era um misto de medo, ânsia, terror, espanto e felicidade. Afinal, era o milagre supremo, só menos importante que a volta do nosso Senhor. Era o que repetia o pastor Ezequiel em altos brados seguidos de améns e glórias.  Indagada pelo garoto, a mãe de Jessé disse que o poder da oração é infinito, pois ela emana do próprio Deus onipotente. Aos onze anos, órfão de pai, Jessé vivia agora em uma cidade estranha, sem parentes e amigos, a mãe aceitou logo a promoção para mudar de ares e esquecer a dor, no entanto, mesmo nessa solidão à dois, pela primeira vez após a morte de seu pai ele não tinha mais medo do fim, pois agora ele sabia o poder da prece.
       Desde que começou a viver sozinho com sua mãe Jessé costumava dormir com ela na enorme cama de casal, sempre enlaçados. Naquela segunda-feira ele acordou num salto, ainda sentia muito frio, não conseguia entender porque daquela sensação logo no momento que a cidade estava tão quente. Olhou o relógio e percebeu que faltavam apenas quinze minutos para chegada do transporte escolar. Aluno dileto e aplicado, comeu e se vestiiu velozmente, notou que sua mãe ainda estava inerte na cama, ela tinha direito, afinal era seu primeiro dia de férias. Deu-lhe um leve beijo na tez muito pálida e saíu. Ao retonrar da escola entrou na casa animado chamando pela mãe. Silêncio. Procurou em quase todos os cômodos da casa e nada. Deve ter saído para comprar algo, refletiu. A mãe lhe ensinara a "se virar", afinal, agora eram apenas eles dois. Pegou uma pizza e esquentou no microondas. Vou comer na cama vendo Tv, afinal a mamãe não está aqui. Entrou no quarto ainda escuro devido as janelas e cortinas fechadas, ligou a tv e sentou na cama, de súbita uma corrente elétrica percorreu-lhe todo corpo, ele saltou assustado derrubando toda comida no chão, ligou a lâmpada e para sua surpresa percebeu que sua mãe ainda estava lá. Sacudiu-a não obtendo nenhuma resposta, sua mão sentiu o mesma sensação gélida que tivera toda noite. Saculejou deseperdamente sua mãe que mais parecia feita de pedra, pôs o ouvido em suas narinas, no coração: nada.
      No dia seguinte foi pra escola como todos os dias. Quem o conhecesse, no máximo perceberia que Jessé estava mais do que nunca concentrado em algo, não raro olhando para o céu, noutras vezes com os olhos cerrados, em silêncio, enquanto seus lábios repetiam como uma metralhadora frases inaudíveis. Ao chegar em casa não procurou sua mãe, imaginou muito bem onde ela estaria. Foi ver Tv na sala, fez as tarefas, brincou com as crianças do prédio e à noite deitou-se como sempre fazia. Não dormiu logo, orou durante horas até não resistir ao sono finito. Ao acordar estava ensopado de algo nauseabundo, esverdeado e vermelho.  Não se desesperou, isso só reforçou sua necessidade de proferir com mais fervor aquelas palavras silenciosas que desde o dia anterior repetia. No banheiro, olhou-se no espelho, estava sujo e com olheiras, lembrou do rosto de sua mãe, não resistiu, chorou. Pouco tempo depois estava na escola fazendo tudo que se exigiria de uma criança de onze anos.
      Ao retornar da escola e repetir a rotina do dia anterior  finalmente entrou no quarto e o odor era insuportável, mas ele tinha fé, não poderia deixá-la só. A cama estava encharcada de líquidos e sua mãe parecia três vezes mais obesa, aquela visão grotesca o fez titubear por um instante. Mas lembrou das palavras da própria mãe, e entre lágrimas recomeçou a orar até adormecer exausto.
      Nos dois dias que se seguiram Jessé não foi à escola. Ligaram várias vezes para sua residência e ninguém atendia. Preocupada sobremaneira com o novo aluno predileto, Jéssica foi com o namorado fazer uma vistinha "social" ao garoto já que o seu amado morava no mesmo prédio do menino. Ao tocar a campainha ninguém atendeu a porta, não obstante várias luzes do apartamento estarem acesas. O namorado da professora de matemática percebeu que a porta da frente estava entreaberta. Resolveram entrar chamando pelo nome do garoto e da mãe alternadamente, silêncio. Enquanto caminhavam pelo extensa sala começaram a distinguir uma voz de criança, rouca, que repetia palavras àquela distância sem sentido, seguiram à voz até uma porta, abriram e encontraram Jessé banhado de sangue, urina e fezes abraçado a mãe morta em posição fetal, mãos juntas implorando à Deus...

By- Adriano Cabral

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Revolução do Voto

     
      O voto é uma arma poderosa, e não raro, a única que as classes menos favorecidas possuem com o poder suficiente para mudar suas vidas, ampliar suas perspectivas. Contudo, no Brasil essa massa que é a grande maioria, usualmente não tem os mecanismos adequados para o efetivo exercício da cidadania (Saúda, habitação, condições dignas de trabalho e sobretudo educação). Dizia o grande historiador Eduardo Galeano que o historiador é “O profeta com os olhos voltados para trás”. E sem dúvida a melhor forma de utilizarmos nosso voto é sabendo do passado dos candidatos e sobretudo das forças políticas que estão com ele, porque ninguém governa só, e para conhecer tudo de forma efetiva vale a pena estudar a própria história do Brasil.
      Este país é marcado pela o que muitos chamam de “contra-revolução” visto que, sempre que em dado momento histórico se desenha para nossa sociedade a possibilidade de uma real mudança na balança do poder, os dentores deste dão um “jeitinho de se manter e impedir as grandes transformações. Senão vejamos: O Brasil era uma colônia aviltada e explorada por Portugal, contudo, os anseios por liberdade cresciam sobremaneira, todas as demais colônias ibéricas na américa já haviam rompido os laços com suas respectivas metrópoles, diante de tal constatação, Dom João para impedir a mudança encarregou seu próprio filho de fazê-la, apenas na aparência loógico: “filhão a independência do brasil é inevitável, portanto, não deixemos que um aventureiro qualquer tome o que é nosso, que seja você quem proclame a independência em troca de uma generosa indenização a Portugal e assinaturas de tratados que favoreçam pátria mãe. E assim se fez, trocou-se uma revolução por um conchavo entre poderosos.
     O tempo passou e eis que o desenvolvimento econômico impõe a libertação dos escravos como condição para ampliação do mercado consumidor (principalmente inglês) Aqui, diziam os conservadores, que a abolição causariam o Caos e a Baderna, porque os agricultores “faliriam” enquanto a caterva negra ficaria solta nas ruas. Dom Pedro II um homem muito conservador acreditava nisso, foi a princesa Isabel que representou o avanço, uma mulher com cultura acima da média, educada com idéias iluministas na europa e herdeira natural do trono, era uma ameaça maior que a própria abolição. Por isso, os grandes produtores (sobretudo os paulistas) se mancomunaram com a cúpula militar e proclamaram a república. Deodoro, usado como laranja na negociata, estava doente e febrio quando bateu na sua porta o alto comando militar exigindo uma posição sua, pressionado, ele não teve outro opção senao trair seu amigo pessoal que era o imperador. Demorou meses para a verdadeira população brasileira (o povão) soubesse que o império caíra. Em algumas regiões só tomou conhecimento da queda do império depois de anos. E mais uma vez uma contra-revolução e quase nada mudou.
      E lá estamos na república do café com leite, paulistas e mineiros alternam na presidência, as eleições eram uma grande e laboriosa fraude, era o tempo do voto do cabresto. Contudo, para surpresa geral, é eleito pela segunda vez seguida um paulistano, Getúlia Vargas representante da oligarquia do leite mineiro não se conforma com a “ruptura do acordo” e tenta arranjar uma desculpa para tomar o poder, ela aparece. Seu vice, o paraibano João Pessoa é assassinado por motivos passionais, mas Getúlio alega motivos políticos, a emoção toma conta do Brasil, Getúlio sabe manipular as massas e derruba Washington Luiz, isto é chamado de revolução de 30, mas nitidamente se vê outra contra-revolução, não se pode admitir mudança. Vargas promete eleições e uma nova constituinte popular, não o faz, há revoltas, surge um arremedo de constituição em 34. Deveria haver eleições gerais em 38, mas Vargas não queria sair, junto com seu então ministro da guerra Eurico Gaspar Dutra forja o plano Cohen que consiste em mandar oficiais do exército e milícias ao seu mando queimar igrejas, estuprar mulheres, fazer arrastões nas principais capitais do país para que Getúlio possa atribuir a BADERNA E O CAOS aos comunistas, com essa desculpa dá mais um golpe e permanece no poder com força máximo, como ditador, tal qual seus ídolos Hitler e Mussoline. Esta “tática da baderna é antiga, sempre que o poder estabelecido se vê diante do novo, do povo, usa isto, usa o medo do desconhecido como uma forma de aterrorizar. Durante a história todas as ditaduras, comunistas (lênin, Stálin) ou capitalistas (Hitler, mussoline) criam seus fantasmas para justificar a violência (nem mesmo a meca da democracia, os USA escapou da caça as bruxas, basta que você pesquise sobre o Machartismo). O próprio Vargas, no seu segundo mandato, já eleito pelo voto popular, foi vítima do próprio veneno, pois, ao voltar ao poder, ainda queria um brasil nacionalista e sem obediência ao capital estrangeiro, pagou um preço caro, sua própria vida, assim como na lenda grega de Crônus que devorava seus próprios filhos ou na revolução francesa onde até o criador da Guilhotina morreu guilhotinado os donos do poder sucumbem aos seus próprios estratagemas.
      Mas o mundo avançou e finalmente em 2002 foi eleito o primeiro presidente operário no País.  A princípio poderia ser apenas uma mudança simbólica e formal. Mas não, foi a a maior revolução da história deste país. Nunca tantas pessoas deixaram de sentir fome, tantas puderam ascender nas classes sociais, tiveram acesso a mais educação, saúde, oportunidades de trabalho. Nunca o cidadão humilde foi tão priorizado e respeitado. Pagamos a dívida externa, varremos mais de 20 milhões de pessoas da condição de miseráveis, criamos novas universidades, valorizamos o funcionário público, o salário mínimo, a indústria nacional... São tantos avanços que gastaria centenas de linhas. Houve erros claro, mas erros todos governos cometem. A diferença é que nem todos tem tantos avanços e conquistas como este.
    Finalmente domingo temos a oportunidade dessa verdadeira mudança continuar. Grandes meios de comunicação (Organizações Globo, Editora Abril) ainda saudosas dos velhos poderosos esforçaram-se ao máximo para eliminar a vontade popular e impor a opinião publicada em favor dos velhos "donos do poder" representados pela figura de José Serra (aliado de ruralistas e antigos membros do regime militar e de economistas que pregravam adoração e obediência ao FMI).
       Mas o esforço dessa velha "ditadura" e seu asseclas midiáticos será em vão pois tenho fé que neste domingo dia 31 de Outubro de 2010 será eleita a primeira presidente  do país Dilma Rouseff. Um dia essa mulher foi uma mineirinha de 17 anos que estudava economia na UFMG e incoformada com a ditadura militar e toda sua opressão, pegou nas armas para lutar pela liberdade, agora a sua revolução irá continuar através do voto.

By- Adriano Cabral

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Globo e o Milagre da "Transformação da Notícia"


      Como foi publicado aqui neste espaço ontem, foi descoberta a fonte da violação do sigilo de dados fiscais de pessoas ligadas a Serra. As conclusões foram fruto de uma investigação da Polícia Federal que chegou ao jornalista Amaury Jr. então jornalista do Estado de Minas que é notoriamente ligado Aécio Neves. Não obstante o referido jornalista ter afirmado que "coletou os dados" em setembro de 2009(eufemismo para violação de sigilo) para proteger o então pré-candidato a presidente Aécio que disputava a indicação do PSDB com Serra que estaria montando um dossiê contra o candidato mineiro. De forma quase hilária o jornalista tucano alegou que os mesmos dados foram supostamente "roubados" de seu computador no quarto de hotel por petista neste ano de 2010 quando ele já tinha saído do jornal.
Bem, estes foram os fatos apurados através de uma investigação da polícia federal e o que a globo noticiou? Veja o vídeo acima. Numa matéria mais do que confusa (a confusão é proposital para ludibriar o expectador) O âncora da Globo abre a matéria dizendo que a polícia federal provou que o PT estaria envolvido com a quebra do sigilo. Para "fundamentar" a matéria o jornalista César Tralli usa como fonte, não a investigação da polícia, e sim matéria publicada pela revista VEJA na qual um delegado aposentado se apresentou expontâneamente ao referido semanário alegando que foi convidado por membros do PT a espionar pessoas ligadas a Serra. Durante toda matéria notem que Tralli simplesmente ignora o MOTIVO da violação do sigilo e monta uma incrível teia de relações (tudo "apurado" pela revista Veja) que terminaria em pessoas ligadas ao núcleo de "inteligência" do PT.
     É quase ASSUTADOR como o maio meio de comunicação em massa do Brasil simplesmente manipula, maquia e transforma uma notícia em outra. A investigação diz que foi gente ligada a Aécio Neves que pagou pela violação mas a Globo de forma cínica, acaba jogando o problema no colo do PT. No texto postado ontem eu já tinha destacado a tentativa da folha de ligar a quebra de sigilo ao PT, inclusive a Folha On Line mudou o título da matéria três vezes, mantendo o conteúdo a primeira foi: PF prova o elo do vazamento de dados ao PT; o segundo foi: Jornalista diz que dados eram para proteger Aécio, por sinal basta uma breve pesquisa no google e se verá que vários jornais mantiveram esse título (como o jornal Agora, veja aqui); E finalmente a mesma matéria está atualmente com o título: Jornalista confirma à PF que encomentou dados de Tucanos. Não se trata de jornalismo, nem do exercício de liberdade de expressão nem de informação. É pura malabarismo do chamando "imprensalão" que busca a todo custo enganar, manipular para conseguir um determinado resultado.
 Vamos ver como o grupo de campanha de Dilma vai se comportar com essa quimera jornalística. Enquanto isso, fiquem atentos e divulguem essa notícia e continuem de olho vivo.

by- Adriano Cabral

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Vazamento de Dados: Finalmente Revelada a Fonte

                              (Luta interna do PSDB causou o vazamento de dados)    

      Finalmente foi revelada a fonte do vazamento de dados fiscais de pessoas ligadas ao candidato a presidência da república José Serra e para "surpresa" geral advinha quem fez isso? Se pensou em pessoas ligadas ao PT e a Dilma erraram rendondamente, foram pessoas ligadas ao PRÓPRIO PSDB mas especificamente ao Senador eleito pelo estado de Minas Gerais Aécio Neves que quebraram o sigilo fiscal dos Serristas.  Segundo informa a Folha On Line (clique aqui para ler a matéria) o jornalista Amaury Jr na época funcionário do jornal Estado de Minas resolveu coletar dados de pessoas ligadas a Serra para "proteger" o então pré-candidato a presidente Aécio Neves que disputava internamente com Serra o posto de candidato a presidente. Acrescentou ainda o jornalista que iniciou a apuração após ter tomado conhecimento de que uma equipe de inteligência liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra Aécio. Ou seja, pura sujeira tucana que Serra e sua equipe tem usado até bem pouco tempo como munição contra Dilma.
    Notem que a reportagem da Folha tenta desesperadamente ligar Amaury ao "grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma", inclusive faz o organograma insano que destoa completamente do conteúdo da notícia (será que a folha acha que o leitor é retardado?), no entanto a fala dele deixa claro que ele estava a serviço de Aécio e segundo o despachante que enviou os dados, foram pagos 12 mil reais pelo serviço.
    Ainda na tentiva desesperada de enrrolar o PT e Dilma na tramóia tucana, ao final da reportagem Amaury alega que os dados fiscais de Serra violado por ele teriam sido "roubados" de seu computador por pessoas ligadas ao PT (Só a VEJA e a Globo vão acreditar nessa né?).
      Nos bastidores do poder há muito já se sabia que o caso do vazamento de dados sigilosos tinha sido parte de uma guerra interna do partido tucano, faltavam provas, e eis que elas foram conseguidas. Vamos ver que truques a equipe tucana Serrista vai utilizar para abafar ou caso ou virar contra ao PT. A notícia ainda está quente e em breve vamos ver como ela efetivamente vai repercutir.

 by- Adriano Cabral

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Serra e o Modo Tucano de Tratar a Corrupção

     
      Somos humanos e o erro faz parte de quem nós somos logo, a corrupção em governos é algo provável de acontecer mas a diferença é como eles tratam os casos, alguns expõem-se a investigações e denúncias assumindo o ônus do Estado Democrático de Direito, outros simplesmente ocultam informações e tentam impedir que os fatos venha a tona. Um bom exemplo disso é o caso do Assessor de José Serra Paulo Preto (ou Paulo Vieira de Souza), além de ser acusado de desviar quatro milhões de reais supostamente arrecadados ilegalmente na campanha de Serra (Sob o silêncio misteriosos desse) ainda "emprestou" a filha do Senador  tucano eleito pelo estado de São Paulo Aloysio Nunes a bagatela de 300 mil reais. De quebra a filha de Paulo Petro tem cargo comissionado no governo de São Paulo. E como Serra tratou do assunto? Num primeiro momento ao ser indagado sobre fato por Dilma em debate na rede bandeirantes Serra simplesmente optou pelo silêncio. Em outra oportunidade, como nos informa o colunista da FOLHA Josias de Souza (se quiserem acessar a nota completa clique aqui) Serra afirmou não conhecer Paulo Preto. Este indignado com a "amnésia do chefe" em entrevista a FOLHA ameaçou Serra com todas as letras: "não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro".(fonte: Jornal Do Brasil clique aqui). Diante da ameça, Serra "lembrou" de Paulo Preto mas negou as acusações de desvio de dinheiro. Em outro momento, ao ser indagado por jornalistas, Serra insinuou que os mesmos deveriam estar sendo pagos pelo PT para fazer acusações infundadas e que tudo vinha de uma suposta "armação" do comité de campanha da candidata Dilma. Até mesmo a revista que apóia escancaradamente Serra criticou a postura do mesmo em relação a imprensa nesta nota aqui onde o colunista da famigerada revista diz "Serra, em vez de serenamente comentar o caso, como fez Guerra, limitou-se, em Porto Alegre, a desqualificar o trabalho dos repórteres interessados no assunto, dizendo: – Isso é pauta de petista."
      O assunto não surgiu de nenhum comitê petista, tomamos conhecimento do fato através de matéria de capa publicada por duas das maiores revistas semanais a Isto É e a Carta Capital (mais informações sobre as revistas clique neste link.) No entanto a RevistaVeja órgão da imprensa que está completamente comprometido com a candidatura Serra só publicou uma nota sobre o assunto, afinal quando se trata de corrupção Tucana, só a Veja não viu.
      Agora Serra lembra nitidamente de Paulo Petro e ainda o defende. No entanto, não sabe como a filha do mesmo foi parar num cargo comissionado na época que ELE era governador. Alegou que ele não fazia as nomeações. (esses problemas de memória são muito graves mesmo no Serra).
      Ao menos Dilma não teve lapsos graves de memória quanto a sua antiga assessora e não impediu sua investigação. Tanto que Erenice acabou sendo afastada do cargo e as investigações prosseguem. Enquanto isso, a filha de Paulo Preto continua "trabalhando" para o Governo Paulista, afinal, que carta na manga tem esse Paulo? O que ele pode falar que deixou Serra com tanto medo que o levou a recuperar a memória e defendê-lo publicamente? È muito ruim ter rabo preso. Essa é a forma tucana de lidar com crime.

PS:Gostaria que os leitores deste espaço além de lerem o post acessem os links de referência, tentamos neste espaço trazer informações sem esquecer nunca de citar as fontes, coisa não muito comum em outros lugares.
by- Adriano Cabral