domingo, 21 de agosto de 2011

Notas de Amor 4 - O Outro.

     
      Júlia sempre repetia que amava Felipe, ao ouvir isso, quase sempre acreditava, exceto nos momentos de intimidade, quando, deitada e completamente despida, dava sonora gargalhadas quando ele a beijava lascivamente. Irritado,ele parava e as vezes interrompia de vez a atividade em questão. Júlia se envergonhava, pedia desculpas e tudo se resolvia com mais carícias, sem beijos passeando pelo corpo, senão, voltavam as risadas. Certa noite após retornarem do cinema, Júlia estava completamente nua, deitada de bruços, cochilando, Felipe, insistente, começou a beijar-lhe as costas, do quadril até a nuca, desta vez Júlia nao riu, nem sorriu,  surpreso, seu namorado buscou nos olhos dela a resposta e os encontrou sérios e concentrados, com o pensamento distante, isto o feriu mortalmente, cessou o que estava fazendo e perguntou bruscamente:
- No que você estava pensando Júlia?
- Nada além de você meu amor!
- Com certeza era qualquer coisa exceto eu, você estava pensando em que, fale, fale logo! Falou nervoso, temendo a resposta.
- Nada, só tava pensando em você...
- Júlia, seja honesta, ou vou embora agora mesmo e não volto mais. Vociferou Felipe de tal forma que deixou a mulher assustada. Você tava pensando em outro né? Ao ouvir isso a puplia dela dilatou aterrorizada de tal forma que Felipe teve ímpetos violentos. Quem é ele, fale, quem é?
-Ninguém juro! Não é o que você esta pensando...
-Droga! Nunca na minha vida pensei que iria ouvir essa maldita frase feita, fala logo quem é, ele e melhor que eu na cama ne, ele nao te fez garbalhar... Institivamente ela assentiu, em seguida se arrependeu do impulso. Felipe estava possesso demais, perdendo o controle, ela não aguentou mais e gritou.
-Tá bom, era o Batman!
-Como assim? Tá louca?
- Amor, estava pensando Batman, acabamos de ver o filme lembra? Recordei aquela parte que ele fala em autocontrole. Quando você começou a beijar-me tive de novo a vontade de rir, me concentrei e pensei, se o Batman consegue eu também consigo, e tava até resistindo a vontade de gritar e gargalhar, desculpa amor!
- O Batman.... repetia Felipe desconsolado
-O Batman.

By- Adriano Cabral

sábado, 13 de agosto de 2011

É Preciso Sonhar

     
      O que afinal diferencia os homens dos animais? Diz-se que é a capacidade de raciocinar outros o poder de trabalhar e transformar a natureza. Eu, porém não sei o que efetivamente o que nos distingue dos demais seres vivos, mas acredito que a capacidade de sentir e de sonhar são provavelmente as características mais humanas que nós temos. Qual o sentido da vida? Em minha opinião, na falta de uma resposta melhor acho que o sentido da vida é senti-la em toda sua extensão, sorver cada gota, porque no final das contas a vida é pra ser vivida, não assistida. Passei uma boa parte da minha existência como telespectador e cada vez que me sinto, mesmo que profundamente, triste, lembro-me que foi a partir do momento em que me permiti sentir que comecei a ter esta inigualável sensação de estar vivo. Estar nestas condições inclui os bons e maus momentos. Mas quando esta tudo tão ruim (como por exemplo agora rs.) além da vida real temos algo que faz com que, de alguma forma, o ser humano tenha o alento: os sonhos. E o que são os sonhos, de que matéria eles são feitos, o que eles representam? Mais uma pergunta sem resposta, mais um mistério. O fato é que o sonho é matéria que sustenta a própria vida, provavelmente foi do sonho de voar que se criaram aviões, do sonho de conhecer o mundo que se forjou a internet, mas às vezes os sonhos nada mais são do que a realização de nossos mais íntimos desejos, principalmente os que podemos chamar: Impossíveis. Bem, disto isto vamos ao sonho...

      Lá estava perambulando pelas ruas do Recife Antigo (área cheia de prédios neoclássicos, mas parece uma cópia velhinha das ruas de Paris do Sec.XVIII), era fim de tarde e havia pouquíssimas pessoas nas ruas. O céu estava multicor predominando aquela coloração laranja escuro manchada por nuvens e o céu azul. Olhando o horizonte era difícil diferenciar o mar e o céu... Mas Felipe cessou de observar o espetáculo diário da natureza ao divisar ao longe uma figura pequena, de cabelos longos, pele branca que estava sentada sozinha na amurada, observando o mar... Por um instante ele acreditou que poderia ser alguém que conhecia... Mas logo desviou o olhar e seguiu adiante. No entanto, a idéia que aquela figura feminina poderia ser Ela martelava sua cabeça e a cada pancada ele reduzia seu passo tentado a retornar e certificar-se seu provável engano era efetivamente, um engano. Afinal, não poderia ser Ela, àquela hora estaria há pelo menos 2300 km de distância, e mesmo numa hipótese completamente remota dela estar no Recife provavelmente estaria rodeada do seu tradicional séquito de amigos ou familiares. Mas seu coração acelerava, uma euforia inexplicável foi tomando conta dele enquanto se aproximava da figura feminina. Mais perto, ele pode ver sua pele alva, seu rosto encoberto por uma franja que caía encobrindo seus olhos. Era ela, repetia pra si, era ela.

- Selina?

- Eu!? Sim, eu. Você demorou hein!?

-Como assim, é você mesma Céu?

-Não, sou apenas um sonho. Respondeu ela num sorriso contido, ela parecia triste. Que mania a sua de diminuir meu nome, que já é tão curto, e me chamar de Céu, só você mesma. Completou num sorriso verdadeiro.

-Mas como pode ser você, aqui. Ele mirava fixamente o seu rosto, a franja ainda impedia de ver os olhos, ela pareceu perceber e com um gesto rápido de mãos mostrou todo sua face com seus olhinhos miúdos, mas levemente felizes, não obstante, ainda uma sombra permanecia principalmente em seus olhos, vermelhos, provavelmente havia chorado.

-Mas como você demorou hein?

-Como assim, eu nem sonhava que você estava em Recife, você não me disse nada, como esperaria me encontrar então?

-Ah Felipe, é claro que não iria te avisar, a simples idéia de ti ver me parecia ser ao mesmo tempo encantadora, mas também aterrorizante. Então não avisei e não pretendia te encontrar, no entanto, dei uma chance ao destino. Indagada como funcionaria o destino ela continuou explicando que resolveu ficar sozinha no ponto turístico mais famoso do Recife enquanto seus amigos circulavam pela cidade e se o destino fosse muito generoso provavelmente ela o encontraria exatamente como aconteceu. Só não imaginava que ela teria que esperar quase três horas pra isso.

-Você é louca mesmo!

-Ai, ai! O impressionante é você ter notado isso só agora. Disse ela num breve sorriso convidando-o a sentar ao seu lado. Olha Lipe, aposto que você esta pensando, afinal, se ela queria evitar encontrar-me porque esperou horas e horas sob os cuidados do “destino” só pra me ver. Pois vou te responder...

-Eu não imaginava-a tão falante. Interrompeu ele.

-Ah! Provavelmente é porque sou a garota dos seus sonhos, logo acabo sendo bem melhor que a original, o que acha?

-Uma boa teoria Selina dos meus sonhos, agora explique o que o destino reservou pra mim. Disse ele sorrindo, no entanto, o olhar dela se tornou muito grave, sua voz saiu doída, fraca.

-Estou perdendo as esperanças Lipe! O olhar indagador dele a fez continuar. De certa forma foi você quem me inspirou a arriscar-me a viver e sentir a vida em toda sua plenitude. A parar de pesar, calcular, relativizar e por fim desistir de correr qualquer risco. E guiada por este possível encanto de viver mergulhei no mar da vida, no entanto, poucas vezes pude sentir as águas plácidas e puras, até as sentia, mas por tão pouco tempo, o que predominou foram às procelas e tempestades que, às vezes, me fazia até pensar que iria afogar e desaparecer. Estou com medo, muito medo. Parece que a razão está vindo dentro de mim não só para me salvar de alguma desdita, mas para predominar e mandar em mim. Me ajuda! Dito isto ele pegou sua mão e mergulhou nos olhos dela e ambos ficaram perdidos um no outro, como se comunicassem em silêncio até que este foi quebrado pela voz dele.

-Se isto é um sonho não preciso me conter... Dito isto ele ergueu-a na amurada, tendo apenas agora ambos uma faixa de terra e o imenso mar do Recife, e a beijou, a princípio um beijo suave, terno, como se aos poucos as almas estivessem se misturando, fundindo. Ela estava na ponta dos pés, isto fazia com que o abraço fosse mais estreito, enquanto o beijo ia se tornando intenso, eufórico, delirante e agora as mãos que até então estavam repousadas simplesmente se espalharam pelos corpos, quase em desespero, como se um estivesse se afastando do outro e ambos tentassem segurar-se.

O celular gritava sem parar, foi quando ela lembrou-se que eram seis horas da tarde e os seus amigos estavam chegando. A noite se fez em Recife. Após o beijo eles ficaram mais um longo momento calados fitando-se de frente ao outro, ainda de pé.

-Era isso

-O que?

-Era isso que eu precisava Lipe, era isso, de alguma forma eu sempre soube, era você.

-Você tem que ir embora né?

-Você quer que eu fique, eu fico, basta você pedir, eu faço! Dito isto, sacou o telefone da bolsa. Você quer que eu fique, de verdade?

-Quero!

-Responda direito, porque não quero mais perder tempo. Você quer que eu fique?

-Quero, fica!

Ela deu um largo sorriso. Ele acordou!

by-Adriano Cabral

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mais um Fracasso do Capitalismo de Mentirinha

     
   Dizem às lendas que foi na Grécia antiga que se formou a base da democracia ocidental. Curiosamente a Grécia contemporânea demonstrou ser o grande túmulo do modelo de democracia representativa que impera no ocidente. A idéia da democracia de forma simplificada é que o povo governe, seja diretamente ou indiretamente através de seus representantes. Logo, o Estado deveria ser a "voz do povo", mas este foi completamente ignorado recentemente na votação do parlamento grego que aprovou um pacote de medidas duras de contenção de gastos que era e é rechaçado por mais de 80% da população daquele país. Mais afinal, porque os gregos estavam tão irritados com o tal pacote que a Rede Globo não cansou de dizer que era "essencial" para estabilidade econômica de toda Europa? Por incrível que pareça mais uma vez a resposta é relativamente simples: Bancos europeus por quase dez anos encheram as burras de dinheiro especulando com créditos imobiliários podres advindos de bancos de investimento norte-americanos. Depois de anos de farra, o sistema financeiro "descobriu" em 2008 que os créditos eram podres. Daí a imprensa econômica (que dizem as más línguas são pagas pelo mesmo sistema financeiro) pregou o final dos tempos pra baixo e imploraram a ajuda dos "governos" para atenuar a "crise". Agora você deve estar pensando: Peraí! Se foram os bancos que depois de longos anos de farra que causaram o problema, porque agora os "governos" (ou seja, o setor público) que vai pagar a conta? Mas é assim que funciona o capitalismo de mentirinha, não existe risco para as grandes empresas (principalmente as que compõem o sistema financeiro), e se há grandes perdas, quem paga é o governo. E no caso de uma "crise global" quem paga são OS governos. Foi exatamente o que aconteceu nos anos que se seguiram a quebra da farra imobiliária, várias nações se endividaram (parece surreal) para ajudar umas dúzias de bancos. Agora, pouco mais de três anos após o estouro da "crise", vários governos do mundo, inclusive da Europa (países como Itália, Espanha e Portugal são as bolas da vez), vem tomando medidas que atinge diretamente a população, reduzindo salários, cortando aposentadorias, assistência a saúde, investimentos na educação e por aí vai, tudo pra que mesmo? Ah! Pra pagar aos bancos o dinheiro que esses governos pediram emprestado para ajudar outros tantos bancos.

      A gana da banca anda tão açodada que até mesmo a nação símbolo do capitalismo de mentirinha esta com problemas de pagar o que deve. Afinal, um dia alguém tinha que notar que os Estados Unidos é a nação mais endividada do mundo e tal passivo aumentou bastante após várias guerras da era Bush e finalmente o "auxilio" a bancos e empresas prestadas pelo governo norte-americano nos anos que se seguiram após o estouro da bolha imobiliária em 2008. Em 16 de maio deste ano, o governo dos Estados Unidos alcançou o limite de endividamento, US$ 14,3 trilhões, equivalentes a 92% do Produto Interno Bruto (PIB) de um ano do país e precisa da autorização do congresso para que o teto do endividamento aumente, senão, simplesmente amigos, terá que dar calote nos credores.

    Não é a primeira nem a última vez que os governos pagam a conta do "fracasso" do sistema financeiro (símbolo do capitalismo atual), desde da grande quebra de 1929 vamos nesta mesma toada. Mas sem dúvida é a primeira vez que até mesmo o centro econômico e cultural do ocidente se encontra na iminência de ser humilhado por mais um fracasso deste capitalismo de mentirinha, sem riscos para o setor privado, onde no final das contas, quem paga a conta são os mais pobres com mais impostos e menos investimento social.

By- Adriano Cabral

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Copiando, Colando e Seguindo o Coração



Meu Universo é Você.


Quando te vi logo ali, tão perto

Tão ao meu alcance, tão distante, tão real

Tão bom perfume, sei lá...

Mas aos poucos foi abrindo minha visão, o jeito que o amor

Tocando o pé no chão, alcança as estrelas

Tem poder, de mover as montanhas

Quando quer acontecer, derruba as barreiras... E as barreiras foram sendo derrubadas

Mas um dia um adeus, eu indo embora, tanta loucura, por tão pouca aventura.

Amanheci sozinho, na cama um vazio, meu coração se foi sem dizer se voltava depois.

Logo fui vendo que é mesmo assim, a história não tem fim

Continua sempre que você responde "sim" a sua imaginação a arte de sorrir cada vez que o mundo diz "não"...

Ainda bem, você voltou e falou que queria ser mais que uma amiga, aceitei logo, você nem desconfiava o quanto eu daria por teu amor

Então foi tua boca na minha, seus olhos fechados são o meu maior momento dito em silêncio. Sua pele suave, sua mão que passeia em mim Igual o vento toca as gotas de orvalho

Eu nem sonhava te amar desse jeito, hoje tenho esse novo sol no meu peito...

Quero acordar, todos os dias te sentindo ao meu lado viver o êxtase de ser amado

E nesta carta musicada quero declarar que te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir, ter você é meu desejo de viver, sou menino e teu amor é que me faz crescer, e me entrego de corpo e alma pra você.

Os versos não são meus, mas bem que podiam ser todos eles falam do que sinto por você e escrevendo, copiando, cantando encenando, é meu número, é meu jeito de ser seu fã nº1.

By- Adriano Cabral (Colagens de trechos de músicas de Roupa Nova e Guilherme Arantes)

domingo, 17 de julho de 2011

Definitivamente Não?



— Não!


— Se você disser que sim e aceitar o meu amor não prometo fazer tudo por ti, mas tudo que me é possível fazer por alguém...

— Não!

— Se você disser que sim ao amor que te ofereço eu não sei se poderei fazer sorrir cada pétala das flores que te der, duvido muito que a felicidade, sempre fugidia e efêmera, estará sempre presente... Mas sei que poderei, às vezes, até mesmo na hora de dor aguda arrancar-te um sorriso...

— Não!

— Se você disser que sim ao amor que te entregar não sei se serei capaz de criar os versos mais belos, compor canções lindas em teu louvor e comover-te ao som de alguma melodia minha, mas te garanto que o que sinto é tão intenso que vou pedir canções ao vento, versos ao luar, gotas de rima ao som da chuva e poesia ao ver o mar e estou certo que tal sentimento, força, irá te encantar....

— Não! Não!

— Eu não consigo entender esse seu jeitinho.... Ouço uma coisa de sua boca e seus olhos falam outra... olha, vem cá, se você não entende bem o que te digo eu te explico novamente com prazer...

— Ai, ai!

— Se você disser que sim e a este amor se entregar, finalmente encontrarás em mim teu verdadeiro e único amor.

— Não, não e não.

— Então desisto. Adeus e nem vou pedir que me esqueças porque, apesar do seu olhar dilatado, seus lábios trêmulos, sua face ruborizada, nunca estive dentro de ti, logo, não há o que esquecer. Dito isto ele caminhou em direção ao taxi que seguiria para o aeroporto. Ao chegar a porta do veículo, lançou um último olhar, ela já estava longe, ele gritou: Adeus. Ela respondeu na mesma altura...

— Não.

by- Adriano Cabral

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Notas de Amor - Felicidade Verdadeira.


Era uma vez um velho pobre rapaz que teve o coração dilacerado em milhões de pedaços e andava completamente perdido sem fé na magia e no encantamento...
Era uma vez uma jovem e linda moça que teve o coração tomado por uma força das trevas e aprisionada numa longíqua caverna que a impedia de ver qualquer traço de luz, magia e felicidade verdadeira.

E um dia, mesmo que todas as forças da natureza e da lógica não permitissem, eles se encontraram. E o pobre e velho rapaz começou a sentir-me menos pobre alimentando-se do doce perfume de seu sorriso...

E talvez a linda moça, no momento do encontro, tivesse seu coração pulsando, sentindo que até então, o que vivera era apenas sombra da verdadeira vida.

E o acaso cada vez mais os reuniam e uniam eliminando o ocaso que até então eram suas vidas. E cada vez o velho rapaz se sentia menos velho
E cada vez mais, a linda moça questionava a ilusória segurança de sua caverna.

E duas mãos se tocaram
E as almas se conectaram
E um beijo suave, terno, doce, sereno se tornou uma sucessão de beijos que falaram várias linguas encantadas de desejo.

E o rapaz deu para sonhar acordado com a moça, a encantadora

E a moça talvez tenha dado a sonhar com o rapaz à fugir daquela treva.

E um dia o rapaz e a moça, mesmo trocando juras, se separaram.
Pois a moça não acreditava que havia luz e beleza fora da caverna
E o rapaz, naquele instante em que a bela moça se ía, tornou-se apenas, velho e pobre.

E um dia de manhã o pobre velho, leu palavras mágicas da moça que lhe diziam que a felicidade de sua manhã logo ao despertar se fôra desde que a presença dele não mais se fez. Foi então que ele sentiu o poder mágico dela entrando em seu ser...

E neste dia o rapaz concendeu a moça o poder de o ter em suas mãos apenas com o estalar de dedos, pois o rapaz, enfeiçado pelos indifidáveis encantamentos da linda moça, queria dentre todas as coisas ficar pertinho dela.

E neste dia a moça falou ao rapaz que queria ser a sua esposa, sair da caverna e lá nunca mais voltar, e de lá partiu. Sentiu a luz, o calor, sentiu finalmente o que era o verdadeiro amor, a felicidade verdadeira.

E onde ficaram afinal as sombras? Para trás, nem mais fazem parte da história deste feliz casal.

O que mais se pode dizer? Que eu te Amo!

By Adriano Cabral.

domingo, 3 de julho de 2011

Idades do Sexo



                                              
Pré-História

      Eva passou horas no espelho, somada as tantas outras no cabeleireiro e todos os retoques aquela noite deveria valer a pena, afinal, ela ia mais uma vez encontrar o Adão. O vestido preto acima dos joelhos e decote generoso anunciava o que estava por vir. A campainha toca, ela corre, mal abre a porta e já está sendo sufocada pelos beijos de seu namorado que são retribuídos prontamente. Não dá para resistir e eles fazem ali mesmo, no chão da sala dos pais de Eva. Adão aguarda pacientemente sua adorada se refazer de toda aquela verdadeira luta do prazer. Já dentro do automóvel, as mãos continuam a procurar as mais variadas e criativas formas de deleitarem-se. O carro teve que parar na primeira rua escura, não dava para segurar até o cinema. No cinema foi impossível ver alguma cena do filme. Uma senhora, provavelmente com inveja do casal segundo Adão, chamou o lanterninha e ambos foram expulsos do cinema, mas felizes, pois logo, logo estavam no paraíso encontrado um nos braços do outro.


Idades da Paixão.

Cada mês de aniversário de namoro era uma comemoração. Fotos, vídeos e cartões eram publicados diariamente nas redes sociais. Adão e Eva estavam juntos em todos os momentos possíveis até mesmo nos improváveis. Ambos dormiam juntos todos os dias, ao vivo, por telefone e até pela via internet. Adão morava sozinho e Eva já tinha as chaves da casa. Não raro, ao chegar, ele se deparava com sua amada completamente desnuda e faminta. As poucas vezes que um saía sem o outro era um tédio só, afinal, como eles não cansavam de repetir: ambos eram um. As famílias sentiam falta, os amigos também, mas quem precisa de mais alguém quando se tem em dois todo um universo? Morar junto já não era uma opção, era a única coisa a se fazer, casados ou não. E após cinco anos de namoro casaram.

Período Industrial

      Ele era um dos principais comerciantes de peças automotivas de sua cidade. Ela tornou-se professora universitária. No primeiro ano de casados faziam amor cerca de três vezes por semana. No segundo ano nasceu pequeno Abel. Adão ampliou sua loja e Eva acabou o doutorado. Compraram o terceiro carro apenas para saídas com toda família. Abel deu os primeiros passos enquanto o casal agora se amava em seu ninho de amor duas ou três vezes por mês. A barriga crescia, não, não era outro filho, era o peso dos anos atingindo Adão. Eva não tinha mais tanto tempo pra ficar no espelho, tinha muita prova pra corrigir e planos de aula para elaborar. A cada quinze dias ela passava os finais de semana com a mãe, afinal família era muito importante. Enquanto Adão toda quinta-feira ia bater bola com os amigos, afinal, como se pode viver sem eles?

Certa noite, após passar vinte dias fora da cidade em razão de um congresso acadêmico a saudosa Eva, após banho tomado vai pra cama e deita de bruços por cima do maridão ansioso.
- Amor, quero fazer sexo!
-Eu também, já faz quase um mês, estou subindo pelas paredes. O olhar os olhos da esposa ele percebe que estão fechados, sacode levemente a mulher, ela desperta assustada.
-O que você quer Adão?
-Pensei que você queria fazer sexo, porra!
-Ah! Quero mesmo, mas estou com preguiça. Dá licença? Mas se você vai ficar bravo, faz aí, não me importo. Dito isto Eva deixou-se cair na cama de pernas abertas, no segundo seguinte dormiu. Adão desolado preferiu ligar o notebook e entrar na internet. E deitado ao lado de sua mulher nua, encontrou sua satisfação pela via ciberespacial.
Idade Moderna.
      Eva cada vez era menos encontrada em casa. Agora vivia incorporada a uma rotina de aula, cursos, palestras e grupos de orientação de mestrado e doutorado. Adão já estava com cinco filiais de sua loja, e vivia também mais atarefado ainda. Quando chegava em casa geralmente a esposa estava a sua espera, dormindo, quando não, plugada no computador se comunicando com alunos e colegas de trabalho. Tratavam-se carinhosamente, beijavam-se uma vez ou outra quando se encontravam. Sexo? Era uma ou duas vezes por mês, e olha lá. Para todos os olhos eram o casal perfeito com a família perfeita. Foi nesta época que Eva começou a sentir o doce sabor do pecado ao ser ostensivamente elogiada por Cain seu melhor orientando do doutorado. Em pouco tempo Eva estava rendida aos encantos da vil serpente. Há mais tempo Adão dava suas escapadas do trabalho para tomar cerveja na vila, estacionando seu belíssimo carro na frente do bar. Neste, as adolescentes encantadas pelo seu Tucson do ano disputavam uma com as outras na ânsia de proporcionarem prazer ao Adão.
      Às vezes Eva se perguntava por que Adão não insistia mais pra que ela cumprisse sua obrigação de fazer sexo com ele, mas preferia não pensar muito nisso.
      Às vezes Adão se indagava do porque Eva andar pra cima e pra baixo com aquele rapaz de óculos e cara de retardado, não devia ser nada, ele era apenas um garoto.

Fim dos Tempos.

Os anos se passaram, os filhos cresceram e casaram. Eva após ter sido abandonada por Cain que viajara pra Recife com outra, resolveu pedir o divórcio. Não era mais possível sustentar aquela relação. Adão ficou surpreso com a decisão da esposa insistiu, mas desistiu após ela destilar todo veneno acumulado de ano após ano daquela longa relação. Os filhos intervieram, os ânimos foram arrefecidos, promessas foram feitas e refeitas. A vida continuou na mesma levada, cervejas, alunos e uma cama, que definitivamente só serviria para dormir.
      Quando soube da notícia da morte de Adão, Eva estava deitada num quarto de hotel a milhares de quilômetros de distância de sua cidade. Ela já passava dos sessenta anos e não era mais capaz de seduzir alunos, ao lado dela, dormia tranquilamente um garoto de programa. Ao desligar o telefone, uma misteriosa lágrima solitária desceu de sua enrugada pálpebra, respirou fundo, aliviada, aninhou-se ao homem que ainda ressonava, e dormiu tranqüila.

by- Adriano Cabral