domingo, 18 de outubro de 2009

SÓ, AS VEZES.


Já faz séculos que a gente não se vê
Mas ainda, na calada da noite escuto sua voz no meu ouvido, então meu coração,
Só, às vezes, se comprime em meu peito.


Eu não ligo mais pra isso tudo,
Hoje o tudo é nada,
E nada vai fazer o tempo voltar pra trás.
E não é isso o que eu quero.
Já faz tempo que a gente não se fala
E quase esqueci daquele beijo...

Já houve outras, outras pessoas...

Mas quando eu passo naquele lugar, e está tudo vazio, lembro daquele momento em que num beijo quase fomos um, e

Só, às vezes sinto um pouco de saudade de você.

Já faz muito tempo que não passo o dia inteiro com você dentro de mim

Agora outra pessoa ocupa seu lugar. Mas às vezes fico na tolice em comparar e

Só, às vezes, lembro que nada foi tão divertido, intenso, marcante, insano e mágico como eu e você.

E talvez numa noite fria, trancada no meu quarto, bate uma angústia difícil de suportar,uma dor que eu todo dia tento pensar que foi esquecida, mas ela vem, forte e desespera, é a dor de não mais estar ao teu lado escrevendo novas histórias.

Então tento recordar de outras dores, das lágrimas, das palavras duras, das acusações, seleciono cuidadosamente tudo de ruim que fomos acrescento o que nem aconteceu, preciso desta dor, e ao sentí-la,

Só, às vezes isso me consola.

Já faz tanto tempo, que nem me lembro mais

Tudo coisa de criança, delírio de alguém que não sabia como andar,

Deixei as dúvidas para trás e caminho a passos largos para o futuro certo.

Só não entendo, se ainda depois de tanto tempo,

Só, só às vezes, sinto tanta vontade de chorar...
...e choro.

Adriano Cabral.

16 comentários:

  1. Sei que a música é piegas, mas vale parafraseá-la: "Saudade, palavra triste quando se perde um grande amor".

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  2. "Então tento recordar de outras dores, das lágrimas, das palavras duras, das acusações, seleciono cuidadosamente tudo de ruim que fomos acrescento o que nem aconteceu, preciso desta dor, e ao sentí-la" Eu poderia chamá-lo da arte de enganar a si mesmo.
    Essa coisa de selecionar tudo de ruim, acrescentar ainda o que nem aconteceu não funciona Dri, experiência própria. Apazígua as coisas por um tempo nos dá "força" mas não dura. Acho realmente que alguém que precisa fazer isso para "só as vezes ficar bem" deve ser alguém muito triste. Nítidamente o sentimento ainda tá muito forte e não vai adiantar apagar vídeos, fotos, joga pra fora as roupas e presentes, o jeito é se render e tentar consertar o que foi quebrado. O "encanto" dos inícios, onde o casal se esforça sempre para mentir ao outro e ocultar os seus defeitos jamais vai substituir uma relação que foi vivenciada.
    Lindo poema, espero que não seja sua realidade grande poeta.

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  3. Paulinha, é irrelevante o que passo ou não.rs
    Grato pelas gentis palavras.

    Mas tenho uma opinião. Realmente é comum a gente tentar se "enganar" mas quando o sentimento é realmente real e muito forte esses enganos desaparecem e só fica o que realmente foi.
    Eu particularmente estou tentando aprender a não fazer mais isso. Estou cultivando os bons momentos, afinal, ás vezes eles são tão únicos que é tolice querer esquecê-los ou apagá-los, no entanto, se a outra pessoa luta com todas as suas forças para ficar longe a qualquer custo, o que é bom deve ser cultivado, mas insistir em algo que só um quer é tolice e insano, no mal sentido. Então, não adianta se enganar, se o sentimento foi muito grande ele não vai sumir com semanas nem meses, ou até anos, mas se não há outro saída a não ser deixar pra trás, deixemos. Só ás vezes simplesmente a outra pessoa não nos dá nenhuma opção. Triste, mas é a verdade.

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  4. Não adianta mentir, nem fingir p/ sí mesmo. É pura ilusão. Quanto mais nos esforçamos p/ esconder, mais o que sentimos insiste em aparecer. Porque não somos nós que mandamos na gente. A gente se engana, finge que sim. Mas a verdade, é que o coração não é nosso. É sempre do outro. E só as vezes, a gente abre uma brecha na nossa armadura de orgulho, e admite que no fundo, somos bobos, fracos e completamente apaixonados e submissos ao outro. O triste é que só as vezes temos coragem de admitir, quando muitas vezes, a vontade fica contida nos corações dos dois lados.. E quando finalmente a coragem aparece, é tarde demais..
    Se as vezes, e só as vezes, decidíssemos nos arriscar um pouco mais, talvez só as vezes, viveríamos o maior amor de nossas vidas. Ou não.

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  5. Lindo complemento de texto Sayuri, eu poderia até COLAR e ficaria perfeito. Muito triste mesmo isso, esse medo torna-se quase um DESESPERO de fingir e driblar até o que foi vivido e sentido. Mas é isso, com eu sempre digo, para viver determinadas coisas tem que se ter MUITA coragem

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  6. Fiquei muito emocionada ao ler este texto. Eu praticamente vivo isso. Acabei uma relação muito intensa por causa de problemas que eu achava impossíveis de superar, logo em seguida engatei outra relação para "esquecer". No início parecia funcionar perfeitamente, tanto que em pouco tempo noivei e casei, tudo em um ano. O problema é que em meu desespero eu ignorava todas as carencias e defeitos do meu "Novo namorado", afinal eu tinha que "deixar o passado para trás né".
    Depois veio o dia a dia os poucos encantos que haviam foram desparecendo rapidamente e cada vez mais meu ex ía crescendo, crescendo e tomando forma até que, simplesmente ele era tudo. Não aguentei ser desonesta com meu marido e pedi a separação. Não dá para ser de alguém se já somos de outro. Não sei como, vou enfiar meu orgulho na guela e vou tentar com tudo ser de quem eu sempre fui, dele. Realmente eu gelei ao ler esse texto. Parabéns.

    São Carlos-SP

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  7. Tem três trechos de duas músicas diferentes do Legião Urbana que eu sempre levo comigo: "Como um anjo caído fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira"; "Sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora"; "Dos nossos planos é que tenho mais saudade, quando olhávamos juntos na mesma direção" ...
    Realmente, eu penso sobre muitas possibilidades, claro que houveram erros, mas parece que na minha mente ele sempre está exatamente da forma que eu definia a perfeição. E não há como não comparar, talvez até haja alguém melhor, mas os momentos que passamos juntos foram únicos e completos, ninguém superaria, pelo menos no meu coração. Por mais simples que fosse o lugar, por mais simples que fosse o momento, ele sempre estava lá pra mim ... e quando acabou aquilo doeu como um punhal cravado em meu peito. Eu sempre tive certeza que ele seria o meu amor. Apaixonar é muito fácil, agora amar é algo que vai além de qualquer coisa, pode aparecer um mais bonito, mais legal, com um papo melhor, mas aquela pessoa sempre está presente, como se fosse uma ferida incurável.
    E todos os dias ele fazia falta, chorava todos os dias na sequência de um ano, depois a dor foi indo como uma brisa leve e ele sempre na memória. Os lugares, as palavras, os momentos nunca foram esquecidos. Mas concluo com outro trecho da banda citada no início do meu comentário: "... A vida continua e se entregar é uma bobagem. Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim. Lembra que o plano era ficarmos bem?" Eu aprendi que não adianta eu me lamentar, chorar ou até pensar no que poderia ter sido se ele ainda fizesse parte da minha vida. Sei que fui o amor dele e ele o meu amor, que aprendemos muito um com o outro, mas hoje somos duas pessoas completamentes diferentes, eu era estúpida na época, ele precisou de tempo pra crescer, e é claro, os sentimentos mudaram. Não vou sentir por nenhuma pessoa o que ele foi capaz de despertar em mim, mas sei que posso ser muito amada ainda, claro, se eu me permitir ser.

    Parabéns Dri, sempre surpreendendo =)

    Nathália - Santo André - SP

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  8. Nathália, obrigado pelo trabalho de escrever praticamente "toda sua história" num comentário de blog. (assim como fez Rafaela no post Amor antes da primeira vista).
    Você falou duas coisas muito importantes aí: O aprendizado, e ás vezes a pessoa que amamos se torna "outra pessoa" ou simplesmente "volta a ser quem era" ou ainda, necessita se tornar outra para não assumir determinadas culpas e responsabilidades, enfim, não importa. Nesse caso é fazer como você faz, cultivar as coisas boas e tirar o aprendizado.
    No segundo caso, o amado torna-se "outra pessoa" é muito grave, porque inviabiliza qualquer possibilidade de diálogo pois qualquer coisa que você fale será inútil, e toda vez que você evocar o passado, como ele é "outra pessoa", ou ele não lembrará, ou minimizará, ou ainda reinventará o passado de forma a tornar tudo menor.
    Grato pelo elogio Nathália e pelo trabalho de ter escrito tão longo e rico comenário.
    Boa sorte com seus novos caminhos.

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  9. Peraí cara, é mais fácil jogar a culpa no outro não? Assumir responsabilidade é pedir demais... a não ser se for por um ótimo motivo. Numa relação amorosa somos bobinhos mesmo. Preferimos as vezes fugir e começar tudo de novo (e nem sempre por algo melhor) a não ter que se "Humilhar" e reconhecer as merdas que fez. Acho que vc exige demais das pessoas, elas são assim...frágeis, são humanos, fogem. Não estou dizendo que isso é bom, só tou falando que é o normal. Geralmente a pessoa se fode do mesmo jeito porque ao fugir a gente se mata por dentro, mas é assim que sempre acontece. O resto é sonho.

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  10. Seu texto retrata com muita fidelidade a dor de um ser humano que esta tentando aprender a não amar mais uma pessoa e assim surge um conflito interno pois a cabeça que esquecer e o coração teima em amá-lo. Eu confesso que utilizo certos artifícios para confortar meu coração de que aquela relação não dá mais, como por exemplo fazer uma lista de coisas desagradáveis. A pior parte de se esquecer alguém é ter que apagar da mente todos os planos criados para o futuro; não ter mais aquela pessoa que acreditávamos ser o nosso porto seguro ao nosso lado... Ainda não tenho maturidade para lembrar de lindos momentos sem que tais lembranças me tragam a dor por não o ter ao meu lado. Às vezes enganar a si mesmo é saudável e necessário. É uma questão de sobrevivência.

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  11. "Só as vezes lembro que nada foi tão divertido,intenso,marcante,insano e mágico como eu e você"
    Esse trecho é bastante tocante.
    Nós vivemos de fases e momentos e de pessoas,e NUNCA paramos pra perceber que NINGUÉM é igual a ninguém e que cada pessoa que passa pela nossa história de vida deixa uma marca e teem uma função diferente.
    Claro que ás vezes amamos intensamente alguém,mais e as pessoas que foram também especiais? elas concerteza deixaram uma pontinha de alegria,de amizade e até mesmo de amor e não reparamos nisso por estarmos fechados para novos amores,novas alegrias,novos momentos,e novas experiencias que pode siim amenizar o nosso sofrimento e até mesmo fazer esquecer aquilo que TANTO nos machuca que é a falta de alguém que não era pra ser "nosso".

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  12. Amanda Mascarenhas22 de outubro de 2009 11:45

    Não gosto do "às vezes", mas sim do constante e intenso. O "às vezes" não é importante porque se fosse seria sempre, seria todos os dias, seria todas as horas. Então prefiro trocar o sofrer de "as vezes" por alegria "sempre". Mesmo que "ás vezes" seja necessário praticar a bondade do perdão e a sabedoria do esquecer!!!

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  13. Essa nostalgia que nos ataca é mesmo intensa. E pode fazer muitos estragos. Mas é ao mesmo tempo bom para reavaliarmos gestos, manias, ações e acabamos por nos "encontrar". Mas só às vezes. Esse texto foi fundo em mim, abriu um buraco no coração e revirou meus pensamentos. Nem preciso dizer que sou sua fã há tempos né?! rs. Adorei!

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  14. Texto muito bom. Gostei.Sucesso em tudo.
    Jackson Franco de Recife.

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  15. the last little girl on earth

    comentário de alguém anônimo:
    "Acho que vc exige demais das pessoas..."
    não acho que seja essa questão, seja lá quem escreveu isso. Quando conhecemos alguém,existem as qualidades que nos fascinam nesta pessoa, gostamos dela ponto. Ai aparecem os defeitos , geralmente informamos/pedimos das mais variadas formas, e algumas não tão eficientes quanto outras,a pessoa para ela se livrar de tais defeitos, é normal e acontece de ambos os lados, neste caso cabe a cada um julgar que concessões pode ou não fazer, no entanto se a cobrança é muito exagerada pode acontecer uma das duas coisas no decorrer do tempo: o casal percebe que é imcompativel, existe a admiração o fascínio, mas o sentimento alem disso, não é suficiente, para suportar as falhas que ambos possam ter/fazer. Ai ha o segundo caso, que é cruel, triste, muito triste ao meu ver, um das partes ou duas mudam, se enganam, porque estão deseperados para que de certo, e funciona por um tempo, mas é uma situação condenada, já que nimguem consegue fingir por muito tempo o que não é, e nos momentos de tensão, o eu de cada um retorna, com as falhas que cada um tentou suprimir, e por estar tanto tempo sufucado, retorna com a intensidade do ser que se agarra deseperado a vida que quase lhe arracaram...defeitos que enxergamos no outro são defeitos e nimguem gosta, mas se não fossem por estes defeitos não existiria a pessoa que tanta me fascina, se lhe arrancar isso vc será só qualidades, mas ainda continuará sendo a mesma pessoa?.. uma vez li a frase, "quando mais nos aproximamos da perfeição, mas aceitamos a falta dela nos outros", talvez em se tratando de amor isso realmente seja verdade.

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  16. The last little girl on earth

    Amanda disse: não gosto do "as vezes", os "as vezes"não é importante, porque se fosse seria sempre, todos os dias.Não dá pra ser feliz sempre, e nimguém fica triste eternamente, as vezes somos felizes, as vezes somos tristes, a vida é " as vezes", mas de vez em quando, esses momentos são tão intensos que parecem eternos.Mas isso só acontece as vezes XDDD...

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